|do orgulho que não se mede em palavras|

[nem em prémios, menções ou reconhecimentos]

ao longo dos anos tenho tido o prazer de me fazer rodear de pessoas tão especiais, tão geniais e tão únicas que me fazem sentir orgulho a cada um dos seus feitos.

somos todas muito diferentes, quer em estilo de vida quer em personalidade. encontramo-nos algures entre a paixão pela comunicação e divergimos a partir daí.

são anos e anos de palavras soltas, anos e anos de gargalhadas e lágrimas, anos e anos de conversas à mesa e de emails mais ou menos longos com novidades mais ou menos bombásticas [ou meramente corriqueiras].

são muitos os quilómetros que nos separam, são muitos os sonhos e objetivos que nos distanciam, mas nada nos une mais do que sentimos umas pelas outras.

e nestes últimos tempos não podia estar mais orgulhosa por ver o talento, o esforço e a dedicação de quem me é querido reconhecido além fronteiras.

todas sabemos o quanto a .j. é especial. todas nós reconhecemos naquele olhar doce a chama e a curiosidade que lhe paira na mente, a forma diferente de ver as coisas, o outro lado de tudo o que os outros vêem. a.j. sempre conseguiu ver para lá das linhas e dos fotogramas. sempre conseguiu ler para além das letras e das palavras. e hoje, esse trabalho é mais do que meritoriamente reconhecido. já o foi anteriormente, a nível nacional e internacional, e hoje junta um dos mais prestigiados prémios do jornalismo europeu – European Press Prize – na categoria de Inovação.

o mérito e o prémio é de toda a equipa, mas hoje é a .J. que interessa. é dela que me orgulho, é o percurso dela que me deixa de coração cheio, é o talento, o profissionalismo e a dedicação dela que elogio. Parabéns!!!

Para ver, ouvir e recordar.

http://multimedia.expresso.pt/jihad/PT/matar-e-morrer/index.html

 

Anúncios
|do orgulho que não se mede em palavras|

|chamam-lhe “democratização”|

há até quem lhe chame “progresso”, “evolução”.

o certo é que, hoje em dia, todos nós comunicamos. todos temos algo a dizer e podemos fazê-lo para uma vasta audiência [e aqui, contra mim falo, pois dedico-me a escrever neste espaço coisas que não interessam nem ao menino Jesus]. e muitos de nós escudam-se no monitor e no teclado e tecem longos e aprofundados comentários por essas redes sociais fora, nos fóruns dos órgãos de comunicação, etc. dissertam sobre a vida dos outros, opinam sobre os “casos do dia”, prestam [ainda] aconselhamento aos mais diversos níveis. de forma gratuita. sabem de cor o que os outros pensam ou dizem pensar, e que aquilo que dizem não é o mesmo que aquilo que pensam. e comentam-no. nas redes sociais ou nos fóruns. por vezes, comentam a vida privada dos mesmos, dos visados nos artigos de opinião ou noticiosos.

nada contra.

a não ser o assassínio da língua portuguesa [mesmo que digam que a culpa é do Novo Acordo Ortográfico].

é vê-los a confundir os “ás” com os “às”, os “às” com os “hás”, o “-se” com o “sse”… são tantos, mas tantos os exemplos que por aí andam!!! mesmo em órgãos de comunicação social de referência, mesmo em comentários de pessoas aparentemente eruditas e que até dominam o tema, mesmo em artigos de pessoas chamadas de “líderes de opinião”.

a título de exemplo:

“foje-lhe a boca para a verdade”

“estives-te muito bem”

“sem doze nenhuma de realismo”

“self-made mans”

“ainda à muita coisa mal explicada”

“quéro ver”

“à indicios que”

não sou o suprassumo da língua portuguesa, não digo que não erre [e escrevo essencialmente com minúsculas no início das frases porque me apetece, apenas e só, digam lá o que disserem]. tenho dúvidas muitas vezes, e faço do Priberam o meu melhor amigo, e uso e abuso do Google Translator, e escrevo e reescrevo vezes sem conta para ver se me parece bem [ok, às vezes, escrevo de rajada. só porque me apetece]. tento ter cuidado com a forma pois pode adulterar todo o conteúdo, e toda a minha intenção.

já não me chegam os facebooks desta vida, onde temos que fazer um esforço sobrehumano para perceber o que lá está escrito. É o “assério”, o “ama mos”, o “amote”; é a falta de acentos [e não de assentos], a falta de pontuação, a falta de lógica. são, muitas vezes, as frases longas, sem pontos nem vírgulas, e que perdem todo o sentido ao fim de quatro linhas.

é o nosso idioma, caramba! no mínimo, devemos saber o que estamos a escrever e como estamos a escrever!

o problema não são as letras pequeninas de muitos contratos. muitas vezes, o problema está no facto de se desconhecer a língua portuguesa.

parece-me crítico, no mínimo.

[ou isto é apenas Monday Mood]

|chamam-lhe “democratização”|

|a Humanidade não é flor que se cheire|

já dizia Saramago e ouvi-o hoje nas palavras de Maria Rueff em entrevista à Maria Capaz.

“Nós somos muito a comédia triste. Somos muito comezinhos, muito invejosozinhos, muito egocentradozinhos”

toda a entrevista poderia ser citada aqui, pois gosto imenso da Maria Rueff. há qualquer coisa de agridoce nesta mulher super talentosa que me deixa rendida.

“Dêm-nos o direito de chorar,de sofrer, de mostrar os lutos e mais, de mostrar que a vida tem falhas, tem erros, tem Outonos.”

hoje, não sei se será do cinzento da rua, do frio e da humidade lá fora, era capaz de a ouvir em loop.

|a Humanidade não é flor que se cheire|

|porque isto também é amor|

sentir um aperto no peito porque ela está lá, no centro dos acontecimentos.

porque ela deixou o conforto de casa, deixou o abraço dos seus, deixou a segurança do seu bairro e partiu para lá.

partiu para o meio da multidão mais silenciosa de sempre, para ouvir, ver e sentir o pesar, a indignação, o medo e a revolta.

por cá ficou um nó e um estado de alerta, uma busca constante por notícias para saber se está bem, para saber como está a lidar com toda a avalanche de emoções que lhe percorrem o corpo, desde a ponta dos pés à ponta dos cabelos.

por cá ficou também a certeza de sermos um ponto de abrigo. ficou a certeza que haverá braços abertos, ombros amigos, sopa e chá quente e uma boa dose de vozes, cheiros e rostos conhecidos à sua espera.

por cá ficou a certeza que estes dias passarão rápido e que todo o tempo do mundo não será suficiente para partilhares o que estás a viver.

mas tempo é o que nós temos de sobra.

“Gente a perder de vista à nossa volta (e por cima de nós, nas varandas dos prédios enormes) e barulho zero. É como se estivesse no maior funeral de sempre. E estou mesmo. Vejo pessoas em grupo: amigos, famílias, pais, avós, netos. Bebés de colo e senhoras de bengala. Ninguém ri à gargalhada, ninguém brinca de forma espalhafatosa. Esta marcha está para começar há horas e pesa, o ambiente pesa. Tudo isto é grave, tudo isto é triste.” Joana Beleza, em Paris.

|porque isto também é amor|

|arritmias|

batimentos cardíacos descompassados.

e eu não sei porquê.

não sei se é da aproximação ao fim de semana, se dos acontecimentos em Paris ou da ausência de notícias do Sócrates.

pode ainda ser do stress que o site do Observador me provoca, enquanto procuro resposta para a necessidade de estar a acompanhar ao minuto o que se passa no país dos franceses.

[quem me manda a mim ser curiosa?!]

o coração bate a um ritmo que me é pouco familiar e eu desconheço a razão.

[pode até ser por estar a roer-me toda e a conter-me para não dar dois berros a quem finge que nada faz e que atrasa o trabalho dos outros, a quem abusa da boa vontade de quem desconhece, a quem não valoriza a oportunidade que lhe colocam à frente, a quem é jovem e não pensa]

 

|arritmias|

|dos castigos e dos riscos que corremos|

nem sempre concordo com a Inês.

aliás, politicamente, não estamos do mesmo lado.

mas, tal como a Inês, dou por mim a ser mais conservadora do que imaginava… principalmente no que diz respeito a princípios básicos da educação, da relação pais vs. filhos, do respeito e da liberdade.

e, apesar de não ter filhos [mas viver rodeada de miudagem] vejo nos textos da Inês algumas frases que refletem o que penso e, em parte, o que faço com os meus sobrinhos.

educar dá trabalho, exige tempo, fibra e determinação. e um castigo não o é só para os miúdos como também o é para os pais. e sobre isto lembro-me da minha mãe que, sempre que se zangava connosco, dormia lavada em lágrimas. uma palmada que nos dava acabava por lhe doer bem mais a ela quando a mim funcionava quase como “canção de embalar”.

infelizmente, acabamos por provar do nosso próprio veneno… queremos que os miúdos tenham acesso a todas as tecnologias e mais algumas, queremos que tenham direito a tudo o que merecem e esquecemo-nos que o que mais precisam é tempo.

Aquela tarde em que eu e os meus filhos ficámos de castigo foi prova disso. Fazer a vez das consolas, da televisão e dos computadores não é fácil. Tira-nos dos sofás, dos nossos computadores e das nossas televisões para sermos pais. Para ouvirmos e brincarmos com os nossos filhos, para os ensinar a jogar em vez de ser ao contrário – porque, se das consolas percebem eles, do Risco ou do Monopólio sabemos nós. O novo mundo não está mal e as tecnologias não são o Demo, o que está mal é a falta de opções que insistentemente damos aos nossos filhos: se eles soubessem que existe vida para além dos computadores e das consolas, de certeza que as listas de Natal seriam outras. Mas como os nossos fins-de-semana seriam mais barulhentos e trabalhosos, o melhor é deixar as coisas como estão e não se fala mais nisto.

 

[poderei vir a engolir tudo o que penso ou tudo o que digo que farei um dia que tenha filhos. mas serve este texto para me lembrar que, um dia, defendi que o importante é ter tempo, que o importante é a interação pais&filhos, que o importante são os momentos de partilha. que o wordpress nunca me deixe esquecer isso!]

 

Artigo também publicado no I.

|dos castigos e dos riscos que corremos|

|agora que já quase ninguém quer saber disto|

faz algum sentido refletir sobre a detenção [preventiva] de um ex-primeiro ministro.

o tema criou celeuma mesmo por aqui. as discussões foram mais que muitas, foram exaustivas e sem nunca conduzir a lado nenhum.

a verdade é que estamos todos no domínio do “achómetro”.

aqui poderemos sempre considerar diversas dimensões do caso – a comunicação social, a atuação da justiça e a democracia.

quanto ao trabalho da comunicação social, percebo o “circo” e o aparato em torno do mesmo [do caso e da chegada ao aeroporto e tudo o mais] … tal como li em diversos sítios, o mesmo reconhecimento que levou alguém a ser aclamado pelo povo, facilmente se inverte e leva a que o mesmo se converta em condenação em praça pública. quanto ao acesso [privilegiado] que alguns órgãos de comunicação tiveram em relação aos primeiros contornos do caso, não é nada de novo… desde tempos dos quais não há memória que a informação chegou até aos jornalistas por vias questionáveis e graças a relações ainda mais questionáveis. nada de novo, por conseguinte. já o tratamento que cada órgão de comunicação faz da informação que lhe chega, isso sim, será questionável. daí termos os chamados “jornais de referência” e os jornais do tipo “pasquim”.

se gosto da forma “espetacular” como foi feito o acompanhamento? não, não gosto. mas percebo e acredito que não influencie a atuação da justiça, mesmo que propicie a criação de duas figuras antagónicas: os defensores de Sócrates, que acreditam piamente na sua inocência e aclamam a sua honestidade, e os acusadores, se assim se pode dizer, que já o terão condenado em tempos e que apenas esperam por uma oportunidade para uma condenação efectiva.

em tempos, acreditei no eloquência de José Sócrates, acreditei que poderia marcar a diferença na forma de fazer política em Portugal. esta “crença” não durou nem quatro anos, pois na minha mente construiu-se a imagem de um déspota.

quanto à atuação da justiça, é talvez o ponto sobre o qual tenho mais reservas. apesar de não serem conhecidas as razões que levaram à medida de coação adotada, e que se encontra devidamente protegida pela lei, acho [e mais uma vez o achómetro a funcionar] que quem assim o decidiu terá fortes indícios para assim ter procedido. Convém-me que assim seja pois não quero acreditar que isto está ao nível de alguns países das arábias, onde poderemos ser presos sem sequer sabermos bem o porquê.

quanto à democracia em Portugal, não acredito que esteja sequer posta em causa. a política – ou melhor, os políticos – esses sim, poderão ver a sua imagem colocada em causa… aliás, há muito que o povo olha para os políticos com descrédito, achando que é “tudo farinha do mesmo saco”… esperemos que assim não o seja e que isto não seja um caso que prove que uns são mais iguais que os outros.

sendo adepta de diversas teorias da conspiração, consigo encontrar aqui diversas teorias que poderiam conduzir a cabalas, a meros bodes expiatórios… no entanto, considero a situação grave de mais para especular.

não gosto da figura, da personagem em causa, mas acredito que deve ter acesso a um tratamento justo, a um processo isento de pressões, de vontades individuais… será difícil ser tratado como um comum mortal, na medida que ocupou um lugar de destaque na cena política nacional, europeia e [mesmo] mundial.

todo este caso desperta em mim posições contraditórias. gostava que a justiça não se tivesse enganado e todas as decisões tomadas não fossem abusivas. no entanto, preferia que não fosse verdade pois seria mau de mais termos um ex-primeiro ministro envolvido num caso tão pitoresco como este.

|agora que já quase ninguém quer saber disto|

|Sabiá|

A letra é de Chico Buarque com música de Tom Jobim [e há até quem diga que este acrescentou dois versos que se encontram gravados numa outra versão].

Foi apresentada em Setembro de 1968, tendo sido bastante criticada na altura.

Aqui surge na voz de Carminho e António Zambujo, com arranjos musicais de Jacques Morelenbaum, no Prémio da Música Brasileira 2013.

Hoje estarei na companhia destes senhores…

 

 

 

|Sabiá|