| falar com as mãos |

é curioso ir na rua e reparar em quem passa.
perceber que há quem faça contas pelos dedos das mãos, quem simule diálogos e quem trauteie músicas ritmadas pelo estalar dos dedos.
esta manhã devia ser rap ou hip hop, pelos gestos que fazia enquanto caminhava pelo passeio. sem head phones e sem cão pela trela.

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| falar com as mãos |

|concentração precisa-se|

o volume de trabalho intensificou e não deixa grande margem de manobra.

é tempo de seguir cronogramas, traçar planos, cumprir calendários, gerir tarefas e concretizar projetos.

o tempo não ajuda, desmotiva e baralha a ideia de que a Primavera chegou.

todas as ferramentas são úteis, todas as ajudas contam, todos os minutos são preciosos.

mas nada como a música para ajudar a manter o foco.

e hoje isto está em loop por estes lados.

[em modo de preparação para um fim de semana que se quer de descanso e de tempo para cuidar de mim e dos meus]

|concentração precisa-se|

|i’ve got everything|

a semana vai longa e os dias demasiado intensos. ando submersa numa série de ideias que me fazem debitar trabalho mesmo enquanto caminhamos, quando estamos em casa e enquanto jantamos.

reservo-me o pequeno-almoço para não falar, para fazer de conta que ouço as notícias enquanto tento não pensar.

sei que estás ali, bem ao lado, sem dizeres nada e fazendo de conta que não reparas que a minha cabeça não está ali, e nem sequer perto disso.

por norma não reparo em nada.

sei que as janelas estão abertas, porque tu já as abriste e o dia já nasceu.

mas hoje reparei na forma como me olhavas. horas depois ainda sinto os teus olhos cravados na minha pele. e essa foi, sem dúvida, a melhor forma de começar o dia.

“I’ve got you”

|i’ve got everything|

|aprender a gostar|

o tempo tem destas coisas. ensina-nos a gostar.

aprendemos a apreciar novos paladares, novos odores, novos sons.

o passar do tempo pode até, talvez, criar mais barreiras, mais pré-conceitos, mais pré-juízos. pode até restringir a capacidade de de nos deixarmos levar, de nos deixarmos seduzir e ludibriar pelos sentidos.

mas o passar do tempo também nos traz algum discernimento, uma certa tranquilidade e serenidade que nos permite apreciar novos [e antigos] sabores, odores e formas. a idade educa os sentidos. e com o passar dos anos aprendi a gostar da língua francesa.

no cinema, na literatura e na música.

Paris não é a minha cidade-fetiche; não delirei com Paris, mas deliro sempre com a vontade de lá voltar e de conhecer um pouco mais de um país que nunca me fascinou mas que agora me deixa curiosa.

|aprender a gostar|

|em jeito de regresso|

dias cheios, com tanta coisa a acontecer, com uma mente quase a explodir e uma energia frenética que se opõe ao cansaço físico.

por aqui estivemos em pausa e procuramos arrumar as ideias em palavras, em frases com sentido.

por aqui, arrumamos a cabeça para voltar a escrever. arrumamos a cabeça para fazer com que as palavras fluam, uma a uma, sem atropelos nem empurrões.

por aqui há tanta coisa para colocar na ordem. a casa já está. agora falta este espaço aqui.

e isto vai servindo de inspiração…

|em jeito de regresso|

|excepcionalmente bem disposta|

acordo cedo, bem cedo, de forma a poder afastar o mau humor antes que os outros abram os olhos.

acordo bem cedo para respirar fundo, afastar a preguiça e a birra pelas poucas horas de sono.

é o meu método, é a forma que encontrei de sair de casa de bem com a vida e com o mundo [e com a chuva e com o trânsito].

excepcionalmente, hoje levantei-me bem disposta, sem snooze, sem resinga e sem grunhidos.

levantei cedo, bem cedo, pois já havia luz na sala e na cozinha.

levantei bem cedo e abri a janela da sala para poder sentar e beber o chá tranquilamente, sem olhar para o relógio, sem pensar no dia que vem por aí.

IMG_5795

levantei cedo, bem cedo, e saí de casa à hora de sempre, mas com o bom humor dos dias de sol.

[e valham-me as playlists do spotify)

|excepcionalmente bem disposta|

|it’s a new Day, a new life, for me… And i’m feeling good|

Ter a certeza que o dia de ontem foi o último, que esta noite terá sido a última e que o dia que agora começa será o primeiro de uma nova vida.

Este é um caminho sem volta, com a certeza que nada mais será como antes, com a certeza que, mesmo que tudo corra menos bem, nunca nada será como foi até então.

O dia começa com a certeza de que esta terá sido a melhor escolha, a melhor opção, o melhor caminho.

O dia começa com a certeza absoluta de um novo começo. Um nova lente se impõe, uma nova lente que permitirá ver a vida de uma nova forma, sob uma perspectiva diferente, com um foco diferente e com uma nova correspondência de valores.

Não pretendo esquecer o percurso, não pretendo substituir por outras memórias as memórias dos dias passados. Pretendo manter sempre presente todas as etapas, todos os percalços, todos os pedregulhos que foram surgindo, que me fizeram tropeçar e levantar vezes sem conta. Não pretendo nada disso.

Pretendo recordar o dia de ontem, a noite passada e o dia que agora começa como um ponto de viragem, como um milestone em 33 anos de vida.

Começa agora um novo dia e com ele uma nova forma de ver a vida e de sentir o seu peso, e de calcular a sua importância.

Começa agora um novo dia e eu sinto-me bem.

|it’s a new Day, a new life, for me… And i’m feeling good|

|eu e o spotify, o spotify e eu|

 

por vezes sinto saudades de quando trabalhava com o Pedro.

podíamos até nem partilhar a mesma opinião, o meu gosto, mas tínhamos música todo o dia. com o som mais alto ou nem por isso, o nosso gabinete era o local preferido de muita gente… chegando até a confundir-se com um consultório.

era remédio santo para a má disposição do boss, que nos “tolerava” a escolha musical pois estava no gabinete dos “criativos”.

ouvíamos fado, pop, rock, funk, reggae. ouvíamos música portuguesa, francesa e italiana.

ouvíamos de tudo um pouco. e à 6ª feira conseguia ser ainda pior… talvez uma manifestação do desejo de liberdade que o fim de semana trazia, fazia com que lhe parasse qualquer coisinha no cérebro e colocasse house em altos berros… em 6ªs feiras menos simpáticas – e, ali, as sextas conseguiam ser mesmo muito más – chegamos mesmo a ouvir música popular portuguesa, sendo muito vasto o reportório que conseguíamos trazer para aquele pequeno espaço.

hoje lembrei-me do Pedro, do Ricardo e da Patrícia, da equipa que formamos. lembrei-me das parvoíces, das discussões e das decisões. não desejei que o tempo voltasse atrás. não quis voltar àquele escritório nem quis voltar a ter a minha equipa [ficamos amigos e isso basta]. mas senti falta da música. aliás, tenho sentido falta da música e da muita coisa boa e má que se ouvia por ali.

assim, eu e o Spotify temo-nos vindo a tornar nos melhores amigos. sem dúvida a minha companhia nos tempos que correm.

e fiquei fã das playlists, das coisas que podemos colocar em play e ficar ouvir horas e horas, sem ter que mexer uma palha. descobrem-se novas vozes, novas músicas, novos nomes…

e estas irão fazer-me companhia hoje e pelo fim de semana fora 🙂

Smooth Morning

Cool, Calm, & Collected

Ready for the Day

Seize the Day!

|eu e o spotify, o spotify e eu|