|seria eternamente verão|

hoje, ao ouvir a entrevista a Leonor Poeiras na plataforma Maria Capaz, foi como se tivesse voltado muitos anos atrás até ao momento em que eu imaginava como seria a minha vida lá mais para a frente no tempo.

sim, também na minha cabeça, muita coisa se pintava em tons de azul… céu e mar. muito céu e mar. muita praia, muita vida ao ar livre, muita brisa, muito sol e  muito sal na pele.

quando era miúda ainda não sabia bem o que era bossa nova. ainda não imaginava banda sonora para aquilo que eu achava que viriam a ser os meus dias no futuro. sabia que o som seria suave, animado e daqueles sons que transpiram boas energias e que trazem sal nas notas.

em miúda achava eu que viveria mais perto do mar. recolhi recortes da Casa Cláudia e decorei a minha casa como se esta fosse uma eterna casa de férias.

na minha cabeça de miúda também havia lugar para frio e vento, para chuva e fortes tempestades. daquelas bem ao género do cinema americano, daquelas que só acontecem junto à praia e que passam em menos de nada, sem deixar rasto. as pessoas molham-se enquanto tentam escapar entre os pingos da chuva, e recolhem dentro de casa, secando-se com toalhas fofas e brancas. no dia a seguir já tudo passou e tudo segue normalmente.

na minha cabeça de miúda seria eternamente verão. mas só mesmo na minha cabeça de miúda.

Casa de Praia
Casa de Praia
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|seria eternamente verão|

|fecho central|

é o “click” do fecho central das portas do carro que liga e desliga a minha mente.

mal saio de casa, é este pequeno barulho que coloca o meu cérebro em modo “pro” e me impede de afundar nos meus próprios problemas, nos assuntos pessoais, nas confusões que se arrastam porta de casa adentro. é este “click” que me permite focar no essencial, que me permite concentrar e resolver as questões profissionais que me absorveram durante toda a semana.

este “click” dá-se segundos depois de colocar o carro em marcha, tão rápido quanto o diabo esfrega um olho. a partir daqui, entramos em modo piloto automático, com uma série de questões em mente, processos, listagens, plantas e mapas. o momento é único e exige concentração máxima.

horas depois, regresso ao carro e dá-se novo “click”. agora é tempo de voltar a casa. é tempo de pegar na vida que estava em stand-by e reactivá-la. é tempo de pegar na vida e resolver. um problema de cada vez. é tempo de pegar na vida e encontrar novos caminhos.

enquanto vou no carro, permito-me a que as lágrimas corram, permito-me a ver tudo de forma nublada. este é o meu espaço, é o meu tempo. aqui não tenho de ser forte, não tenho de ser optimista, não tenho de sorrir quando por dentro já me desfiz em mil pedaços.

e recordo-me de Fernando Pessoa.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

e, nisto, regresso a casa. sorriso nos lábios, voz tranquila e olhos secos.

regresso a casa e dá-se novo “click”. agora em modo “super-mulher” [e “super-filha” e “super-irmã” e “super-tia” e “super-madrinha”].

movo mundos e fundos. transporto a dor e as angústias dos outros para outros mundos. faço das tripas coração, e da cabeça um veículo motorizado.

|fecho central|

|call center|

tiram-me do sério estas pessoas que se julgam no direito de saber mais sobre a minha vida do que eu própria, que se julgam no direito de opinar sobre as minhas decisões quando, supostamente, serei eu a pagar pelo serviço.

está na moda ligarem por tudo e por nada.

ele é telecomunicações, ele é electricidade, gás de cidade e seguros de saúde. para já não falar dos cartões de crédito que não implicam abrir conta num novo banco, anuidade ou qualquer custo associado. dizem eles.

procuro ser educada, pedir para que não liguem no horário de trabalho, pedir para que não incomodem pois não estou minimamente interessada.

educadamente, tento apelar ao bom senso explicando que estão a perder tempo comigo; tempo esse que podem utilizar para contactar outro potencial cliente [a sério que lhes digo mesmo isto]. em última instância, digo mesmo que estão a perder tempo e a fazer-me perder tempo.

mas hoje conseguiram ultrapassar todos os limites.

uma empresa, a qual já me tinha contactado anteriormente depois das 21h30 e à qual eu já tinha explicado as razões pelas quais não queria subscrever o serviço, voltou a contactar-me hoje. 5 vezes em 30 minutos, para ser precisa.

à 5ª vez atendi para pedir que não me ligassem mais. expliquei, sucintamente, que não estava interessada pois, fazendo os cálculos com as diferentes ofertas dos diferentes players no mercado conseguiria apenas uma poupança próxima dos 5€/ano. pelo que disse “acho que não compensa, não é razão suficientemente forte para eu mudar de prestador”.

do outro lado ouço “mas eu acho que compensa”

WTF????

Hein????

ouvi bem????

– desculpe – disse eu – acho que quem tem de decidir isso sou eu e não estou mesmo interessada no vosso serviço.

– o que lhe custa perder 3 minutos a falar comigo?

WTF????

está tudo doido???

não chega sentirem-se no direito de “achar” sobre a forma como eu giro as minhas despesas como ainda querem gerir o meu tempo?!

sei que estão a trabalhar, que este é o seu trabalho e que é realmente muito chato quando não conseguem vender. mas, depois de ter informado, educadamente, que já tinha falado com outro colega e que não estava interessada, acho que é tempo de me respeitarem a mim também.

respeito muito o trabalho, o dos outros e o meu.

mas não consigo ser tolerante com quem, sem me conhecer, acha que sabe mais sobre mim do que eu própria. lamento.

|call center|

|rainy day, rainy mood|

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fevereiro não podia ter arrancado pior.

um domingo para esquecer, cinzento-quase-negro não fosse a chuva, o frio e o vento e as más notícias/más decisões.

fevereiro é um mês particularmente especial, é o “meu” mês e corre sérios riscos de se tornar o meu “ano novo”.

mas este fevereiro em particular não está a arrancar nada bem…

à típica insónia de domingo à noite, seguiu-se uma manhã sem luz, um cabelo ao melhor estilo “vassoura”, um duche de água fria e um carro com mais de 24 anos que ronca como uma “casal boss”.

o que será de esperar de uma segunda-feira destas?! pior não deve ficar, pelo menos.

>> Créditos | Imagens | Bitter Harpy Press

|rainy day, rainy mood|

|empurrar com a barriga|

adiar, adiar e continuar a adiar.

adiar falar sobre as coisas que não gostamos de falar.

empurrar para algures no tempo onde possa ser menos importante. empurrar para algures no tempo onde não custe [ou custe menos um pouquinho]

brincar com as palavras, rir das situações, levar a vida atrás de uma máscara que nos permite ser aquilo que queremos e adiar ser aquilo que não queremos.

empurrar com a barriga sempre que algo nos aborrece, sempre que algo nos atormenta. empurrar e enfiar dentro de caixas com fechos apertados, sem brechas para espreitar. empurrar para um momento no tempo onde já não faça sentido e quando já não nos atormente.

adiar a dor para viver o momento. para gozar dos dias mais felizes. para viver das pequenas conquistas. para viver dos pequenos gestos de quem nos está próximo.

adiar a dor de cabeça, a indisposição, o mau feitio e ser feliz porque se fez alguém feliz.

empurrar com a barriga acaba por ser isto. adiar o que não gostamos, afastar as nuvens negras e aproveitar que o sol brilha lá fora sem pensar que amanhã irá chover torrencialmente… [who cares?!]

1952

 

>> Créditos | Imagens | Pinterest

|empurrar com a barriga|

|mania dos porquês|

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tudo na vida tem uma razão de ser.

sempre acreditei que sim e nunca me contentei com um “é assim, porque é assim” ou “é assim, porque sou eu que decido que é assim”.

para o bem e para o mal, sempre defendi que há um porquê para tudo.

por vezes, faço demasiadas perguntas, questiono demasiadas afirmações, interrogo-me sobre determinados preceitos…

seria tão mais fácil aceitar e pronto.

aceitar que é assim, porque deve ser assim.

hoje precisava de acreditar que sim, que as coisas são como são apenas porque sim.

precisava de eliminar o ponto de interrogação que por aqui paira e substituí-lo por um ponto final.[no limite, por reticências já era de boa medida].

pois… mas continuo a achar que “everything has a story”…

 

>> Créditos | Imagens | DesignSponge

|mania dos porquês|

|alguém se esqueceu das janelas abertas|

aqui parece que alguém se esqueceu de fechar as janelas. e não foi só durante o fim de semana.

sente-se a aragem fria que entra pelas janelas mal vedadas. ouve-se o barulho das máquinas nas obras, dos carros na rua [a buzinar] tal como se as janelas estivessem abertas. de par em par, se estas assim fossem.

creio estar mais frio aqui do que lá fora.

[Baby, it’s cold inside]

sinto-me gelada.

gelada mesmo, ao ponto de me doer a cabeça, as pernas e as costas com o frio. aquela dor do frio.

e por mais que tente disciplinar a mente, não há nada que me apeteça mais do que mantas. lãs. almofadas. e a lareira acesa.

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>> Créditos | Imagens | Pinterest

 

|alguém se esqueceu das janelas abertas|

|um ultraje|

Beber apenas um copo de vinho à refeição nunca fez mal a ninguém, diz o ditado.

Mas mandam-nos fugir a sete pés dos doces! Um donuts, então!?!? É que nem pensar! carregado de açúcares refinados, frito a elevadas temperaturas… coisa do demo, é o que é.

O vinho não… o vinho é produzido com elevados padrões de qualidade [aquele que é].

Beber um copo de vinho é um ato social, fica bem, é elegante a forma como se segura no copo…

Agora, vêm os ingleses e alteram tudo!

Um copo de vinho e um donut têm as mesmas calorias.

Sabe quantas calorias tem um copo de vinho? E uma cerveja? Provavelmente a resposta é “não”. Fique então a saber que, por exemplo, um copo grande de vinho pode ter quase tantas calorias quanto um donut (200 calorias), de acordo com a Royal Society for Public Health (RSPH). Os especialistas em saúde pública vêm assim defender a introdução de tabelas nutricionais nas bebidas alcoólicas por forma a reduzir consumo e por sua vez a obesidade.

 

Um ultraje, sem dúvida! Um U.L.T.R.A.J.E.!!!

|um ultraje|

| too tired |

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começar a semana como se a anterior nunca tivesse terminado.

dois dias de pausa que nunca existiram.

mais horas para dormir que nunca foram aproveitadas.

é bom fazer aquilo que se gosta, é bom fazer os outros felizes, é bom sentir que os dias são intermináveis.

mas a fatura a pagar é muito alta, pois hoje estava bem era a dormir [ou encolhida no sofá, ou esparramada numa esplanada]

 

>> Créditos | Imagens | My New Normals

| too tired |

|tortura é…|

ter um livro super interessante na mala e ter de ler uma série de linhas que não interessam nem ao menino jesus.

estar um tempo do camandro lá fora e só apetecer estar em casa, sem o barulho das apitadelas dos carros ou das sirenes das ambulâncias

abrir as páginas de redes sociais e ter vontade de comer qualquer coisa com açúcar e canela, acabado de sair do forno, e acompanhado com um café de cafeteira acabado de fazer…

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[acho que me fico só pelo café… e pela música]

 

>> Créditos | Fotos | Call me Cupcake

|tortura é…|