|meia ponte, meio ponto, meio nada|

Tiram-me do sério estes dias em que nem é ponte, nem é tolerância de ponto, nem é feriado nem é nada.

Está tudo a meio gás, tudo meio parado, nem anda nem deixa andar. não há trânsito, [quase] não há emails e o telefone [quase] não toca.

Uns estão de férias toda a semana, outros só voltam quarta feira. Se temos a sorte que nos atendam o telefone, é quase sempre a pedir para voltar a ligar noutro dia.

Entretanto, vai-se mexendo na papelada, olhando de soslaio para o relógio na esperança que o dia passe mais depressa.

Tiro daqui a lição… para o ano meto férias por estes dias. Antes isso que desperdiçar o tempo.

[ou o governo traz de volta os feriados e as tolerâncias de ponto… assim é que não]

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|meia ponte, meio ponto, meio nada|

|sol de inverno|

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sair em trabalho e ficar com vontade de por lá ficar.

aproveitar que não chove e andar pela rua, de cabeça e coração bem agasalhados.

aproveitar a luz e as boas energias e fingir que pode ser assim todos os dias, com ligeiras alterações nos termómetros.

fingir que o parquímetro não está a contar, fazer de conta que não há horas para voltar.

inspirar e expirar. fingir e aproveitar.

|sol de inverno|

|a contar até dez|

irrita-me esta característica mesquinha dos portugueses… esta coisa de se fazerem mais importantes do que aquilo que realmente são.

gostam de ser bajulados, gostam de se fazer de difíceis, gostam que os outros corram atrás só para se sentirem donos e senhores do mundo.

uma pessoa liga e a/o assistente diz que o doutor/engenheiro/arquiteto não pode atender, está em reunião ou está apenas muito ocupado.

“envie um email”, diz ela [ou ele, que para o caso tanto dá].

e vamos com muita sorte se nos derem o email direto, pois na maioria das vezes dão um contacto geral ou de departamento e é um ver se te avias até chegar a quem realmente interessa ou diz respeito.

o visado não responde, mesmo que o conteúdo da missiva seja uma mera pergunta.

lá vamos nós, quais carrapatos, tentar novamente o telefone… ligamos de manhã e ouvimos um “ligue mais tarde” pois o Doutor/Engenheiro/Arquiteto está ocupado ou ainda não chegou.

ligamos mais tarde e a resposta é a mesma.

“o melhor será ligar amanhã, pois hoje o Doutor/Engenheiro/Arquiteto hoje não vai ter tempo”.

ligamos no dia seguinte, no momento indicado e ouvimos exatamente a mesma resposta.

não seria mais fácil um “não, não estou interessado” mesmo que fosse dito através do ou da assistente?! poupava-nos tempo a todos.

e poupávamos no rennie, que isto é coisa para nos deixar cá com uma azia…

[inspira & expira]

|a contar até dez|

|arritmias|

batimentos cardíacos descompassados.

e eu não sei porquê.

não sei se é da aproximação ao fim de semana, se dos acontecimentos em Paris ou da ausência de notícias do Sócrates.

pode ainda ser do stress que o site do Observador me provoca, enquanto procuro resposta para a necessidade de estar a acompanhar ao minuto o que se passa no país dos franceses.

[quem me manda a mim ser curiosa?!]

o coração bate a um ritmo que me é pouco familiar e eu desconheço a razão.

[pode até ser por estar a roer-me toda e a conter-me para não dar dois berros a quem finge que nada faz e que atrasa o trabalho dos outros, a quem abusa da boa vontade de quem desconhece, a quem não valoriza a oportunidade que lhe colocam à frente, a quem é jovem e não pensa]

 

|arritmias|

|todo um país de nariz empinado|

Revolta-me esta coisa dos títulos. dos “senhores doutores” e dos “senhores engenheiros”.

mas revolta-me ainda mais a questão das reuniões como desculpa para não atenderem o telefone. facultam o contacto telefónico, facultam o endereço de email, facultam tudo e mais alguma. mas dignarem-se a responder a um email ou atender uma chamada é pedir demais a estas excelências que devem ter problemas em descer do poleiro.

Liga-se com a secretária ou assistente e informam-nos que o “senhor doutor/senhor engenheiro” está em reunião. está constantemente em reunião. quando não está, é porque ainda não chegou do almoço, ou ainda não chegou [ponto].

acredito que determinadas pessoas recebam inúmeros emails por dia, recebam inúmeras chamadas, mas dado o teor do contacto, custa-me acreditar que não consigam sequer pedir alguém para dar uma resposta.

sejam sinceros, vá! não inventem desculpas quando não sabem/não conhecem/não querem.

pelo menos a outra disse que a “senhora doutora” tinha ido fazer umas compras. haja sinceridade [e um pouco de consideração].

|todo um país de nariz empinado|

| Setembro – a parte menos boa |

Por essas redes sociais só se fala em setembro como um novo começo, um novo ano, uma nova etapa…

Por aqui, o regresso ao trabalho já se fez há algum tempo e só poderia ver isso como um novo começo se tivesse estado um mês de férias [no mínimo]

Este 1º setembro ficou marcado por novas rotinas, isso sim [e que, provavelmente, só irão durar o mês de setembro]… Estamos de volta aos transportes públicos, com direito a tudo o que tem de bom e de mau…

Hoje só me consigo lembrar mesmo da parte má: comboio cheio, apinhado de gente que ainda vai para a praia, com biquinis e calções de banho, mochilas e lancheiras, guarda-sóis e pára-ventos, em amena cavaqueira, enquanto que aqui a pessoa ainda mal abriu os olhos e gostava de encontrar um lugarzito para se sentar, ler um pouco e acordar para a vida.

A parte má continua com o caminho a pé até ao escritório… 9h25 da manhã e já está calor. certinho como chego toda pegajosa e a precisar de um bom banho. e vou ter de ficar assim até às 20h00, hora a que provavelmente chegarei a casa, se conseguir caminhar bem rápido pelo meio das obras até ao metro, e depois até ao comboio.

[ok, para muita gente, isto faz parte da rotina; para mim, já fez parte e agora voltou a fazer. mas continuo a não gostar. posso.]

a ideia de estar sem carro também não ajuda… logo hoje que dava mesmo jeito ter o carro à mão 😦

[este período pós-almoço é crítico. enquanto que, para uns, dá-lhes o sono, a mim dá-me para ficar irritada e um pouco de mal com a vida. é isso ou hoje acordei em dia não]

| Setembro – a parte menos boa |

|dias difíceis, estes |

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Abres o Instagram | Facebook (| Whatever) e vês fotos de praia, mar, toalhas de praia, gente que mergulha, gente que come caracóis numa esplanada, gente que bebe copos até altas horas…

Abres o Instagram| Facebook (| Whatever) e vês fotos de pessoas que fazem as malas para ir de férias, de pessoas em viagem, de malas em aeroportos, de pés à janela num carro…

Por todo o lado há fotos que salientam ainda mais o cansaço que teima em se abater, que me lembram o quanto preciso de férias, que me remetem para o sonho de um dia chegar a ser rica e a poder fazer férias quando bem me apetecer (sem que isso comprometa o orçamento lá de casa)…

Portanto, não está fácil concentrar… resta-me a constatação que é só mais um esforço, mais um projecto, mais uma apresentação…

Tá difícil, hoje…

 

Foto | às 9 no meu blogue (um dos meus locais de peregrinação diária, este blogue)

|dias difíceis, estes |

|da preguiça e dos almoços|

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Não fosse eu tão preguiçosa e poderia ter preparado um almoço assim para trazer hoje para o escritório.

Simples, delicioso e saudável.

Mas, para isso, teria de ter visto esta receita ontem, ter tido tempo para ir às compras [acho que não tenho tudo aquilo lá em casa; pelo menos os pimentos sei que acabaram], e ter preparado pelo menos aquilo que é de ir ao forno…

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Fica a dica [quem sabe, para amanhã, se hoje não me der a preguiça]

[depois da excepção de ontem, era mesmo isto para regressar à rotina]

Créditos das Imagens | Designlovefest

|da preguiça e dos almoços|