|na pressa|

hoje saltamos da cama e, à pressa, preparamos tudo para um dia que será bem longo.
em bicos de pés, preparei-me para sair de casa enquanto te espreitava pela porta entreaberta a vigiar o teu sono. estava à espera que acordasses, mas rezava para que demorasse sempre um pouco mais para eu me conseguir despachar.
fizemos as coisas à pressa para que, no meio da pressa, a mãe não perdesse o comboio.
mentalmente, tentava elaborar um discurso, aquele que te diria, entre abraços e beijinhos no pescoço, quando acordasses. tentava explicar-te que hoje a mãe vai estar fora, vai passar o dia fora mas é por um bom motivo. a mãe vai estar a trabalhar, a tentar ultrapassar mais um obstáculo para podermos ter uma vida um pouco “mais simpática”. acredito, seriamente, que se eu te explicar tudo direitinho, tu vais entender e não vais fazer qualquer tipo de julgamento.
hoje, na pressa, apressamos a melhor parte dos nossos dias, aquela que tem sido só minha quase desde que tu nasceste: o teu despertar. um despertar tão lento como saboroso, com risos e sons palrados, com olhares revirados de alegria, com braços elevados acima da cabeça em jeito de preguiça. com mãos pequeninas que me tocam no rosto, que tentam apanhar o meu cabelo por entre os dedos pequeninos.
para além da distância e do tempo de ausência, hoje o dia será difícil pois, na pressa, apressamos a melhor parte.

|na pressa|

|nascer de avental|

claramente, devo ter nascido de avental.

não conheço ninguém com tanta vocação para ser servil, ou para se por a jeito para ser servil.

não há festa/jantar/evento nenhum(a) onde não dê uma de criada, sempre pronta para ajudar os outros na colocação das mesas, na distribuição dos pratos, e em toda a logística necessária de forma a que não falte nada a nenhum dos convivas.

ele é assegurar que tudo vai ser servido a tempo; ele é assegurar que há ofertas para carnívoros, vegetarianos e macrobióticos; ele é assegurar que há bebida para todos os gostos e adequada aos credos de cada um.

assegurar-me e assegurar ao “dono da festa” que tudo vai correr bem é algo que me assiste. claramente, perita em encarnar a escrava isaura que há em mim.

desconfio seriamente se não terei já nascido de avental, ou se não me terão trocado as voltas e colocado um avental ao invés de um babete.

esta aptidão inata, associada a uma vestimenta monocromática, faz de mim um dos elementos do pessoal de serviço sem a menor dificuldade.

verdade, verdadinha. não foi uma nem duas as vezes que fui confundida pela criada lá do sítio.

é isto ou realmente coloco-me a jeito.

[e nada contra as criadas ou equiparável]

|nascer de avental|

|meia ponte, meio ponto, meio nada|

Tiram-me do sério estes dias em que nem é ponte, nem é tolerância de ponto, nem é feriado nem é nada.

Está tudo a meio gás, tudo meio parado, nem anda nem deixa andar. não há trânsito, [quase] não há emails e o telefone [quase] não toca.

Uns estão de férias toda a semana, outros só voltam quarta feira. Se temos a sorte que nos atendam o telefone, é quase sempre a pedir para voltar a ligar noutro dia.

Entretanto, vai-se mexendo na papelada, olhando de soslaio para o relógio na esperança que o dia passe mais depressa.

Tiro daqui a lição… para o ano meto férias por estes dias. Antes isso que desperdiçar o tempo.

[ou o governo traz de volta os feriados e as tolerâncias de ponto… assim é que não]

|meia ponte, meio ponto, meio nada|

|sol de inverno|

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sair em trabalho e ficar com vontade de por lá ficar.

aproveitar que não chove e andar pela rua, de cabeça e coração bem agasalhados.

aproveitar a luz e as boas energias e fingir que pode ser assim todos os dias, com ligeiras alterações nos termómetros.

fingir que o parquímetro não está a contar, fazer de conta que não há horas para voltar.

inspirar e expirar. fingir e aproveitar.

|sol de inverno|

|Mogli e os selvagens|

Desde sempre vivi em casas/moradias/habitações sem vizinhos por baixo e por cima, nunca em apartamentos.
Primeiro numa casa “improvisada”, adjacente à casa dos meus avós – um quarto, um quartinho, uma sala, uma cozinha e uma casa de banho no exterior.
Depois veio aquela que é hoje a casa dos meus pais. Rés do chão, 1º andar e sótão.
Apartamentos sempre me fizeram confusão. Passar na rua e ver para dentro de casa das outras pessoas. Perceber se estava gente em casa, se viam televisão ou se tinham visitas.
Nunca me tinha apercebido que o mesmo acontecia em relação à casa dos meus pais. Paredes meias com a casa dos meus avós, rodeados pelas casas dos meus tios e partilhando um quintal comum. Aqui não se partilhavam apenas as hortaliças. Aqui também partilhávamos os ralhetes, os castigos, e as birras. Sabíamos, no mesmo momento, se um de nós, os primos, tinha sido apanhado em alguma malandrice. Sabíamos, pelo volume, se tinha “havido festa”.
Aqui sabíamos quem estava em casa, quem tinha deixado as janelas abertas ou a porta encostada. Aqui quase nem era preciso bater antes de entrar pois vivíamos porta com porta, paredes meias com outras vidas que não eram as nossas.
Aqui, num meio a pender para o selvagem, sempre fomos muito civilizados. Respeitávamos os silêncios, partilhávamos da hora das refeições e da hora dos descansos. Sabíamos que era tempo de recolher pelo simples correr de um estore.
Hoje, vivendo num apartamento, não partilho da proximidade com os outros como outrora. Não vivemos paredes meias com outras vidas que não a nossa. E também não partilhamos os momentos de descanso.

Sim, acredito que vivo por baixo de selvagens.

Difícil perceber estas rotinas. Difícil perceber porque se corre a todo o instante dentro de casa. Difícil perceber porque se arrastam as cadeiras à hora do jantar, porque se arrastam os sofás ou cadeirões depois do jantar, porque se sapateia depois da hora de dormir e quando ainda mal nasceu o sol.
Faz-me confusão esta falta de respeito pelo tempo dos outros, esta falta de consideração pelo descanso alheio. Faz-me confusão que não se saiba zelar pelo bem comum quando partilhamos as mesmas paredes, as mesmas escadas, a mesma estrutura.

Arrastam-se cadeiras no chão da cozinha, empurra-se mobiliário no chão de madeira da sala, deixam-se cair objetos metálicos no chão dos quartos, bate-se com as portas dos armários da casa de banho… usa-se a Bimby às três e quatro da manhã para picar ou moer alguma coisa.

Percebo que tenhamos de criar estratégias para dar resposta às necessidades do dia a dia. Percebo que tenhamos de fazer coisas a horas impensáveis pois, entre o dia passado fora e as horas que sobram até ao deitar nem sempre deixa que o tempo estique, se desdobre e renda para tudo o que precisa de ser feito.

Faz-me confusão que, a determinadas horas, se coloque em pratica o Livro da Selva e que vivamos todos em torno dos nossos próprios umbigos.
Venha de lá o Mogli que hoje é domingo.

|Mogli e os selvagens|

|chegar a casa|

sei que, à hora que sair do escritório, vou apanhar um trânsito infernal, vou ter de lidar com uns quantos espertinhos cujo respeito pelo espaço dos outros há muito que viu os dias contados.

pára-arranca, buzinadelas, sinais de luzes… e isto em passo lento durante cerca de 40 minutos.

mas – espero eu – vou chegar a casa – à minha casa – e preparar-me para a devida pausa a meio da semana.

uma quebra nas rotinas, um romper com os três dias que já lá vão e um novo fôlego para uma semana que irá parecer mais curtinha.

hoje é dia de receber o mimo dos papás, é dia de estar com os meus, de sentar à mesa para jantar e levantar quase à hora de ir para a cama.

até lá, valham-me as imagens e a música. até lá respiro fundo e não penso no caminho a percorrer – penso apenas no objetivo final.

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>> Créditos | Foto | Designlovefest

|chegar a casa|

|dormir bem – quando a qualidade é bem mais relevante do que a quantidade|

Grandes empreendedores, CEO’s, CMO’s, CCCO’s e outros que tais vêm a público assumir que dormem menos de 3 horas por dia.

Depois, vêm os jornais, pegam nestes exemplos, e apresentam as consequências de noites mal dormidas. depressões, esgotamentos, incompetência e até suicídios.

Depois vêm as publicações científicas e de foro medicinal e apresentam uma série de medicamentos, práticas e teorias que podem melhor a qualidade do sono e incrementar o número de horas dormidas. Ele é clínicas do sono, publicações sobre o sono, palestras sobre o sono e até organizações para abordar o mesmo assunto [como a Associação dos Amigos da Sesta]

Depois há quem faça do sono um negócio e crie um conceito para implementar a famosa “siesta” por esse mundo fora – o “primeiro cochilódromo de São Paulo” [gente com visão, é o que é, ainda por cima, em brasileiro, soa tão bem – Cochilo]

Aliás, nada contra.

não sendo CEO, CMO outros que tais, não tendo um trabalho deveras stressante nem uma vida pessoal demasiado atribulada, não tenho qualquer razão para dormir 4 a 5 horas por dia. talvez seja genético, congénito ou algo semelhante.

gosto de ler sobre o tema, gosto de ouvir sobre técnicas que induzem uma melhor qualidade de sono, gosto até – imagine-se – de colocar algumas delas em prática.

desta forma, ao ver este artigo – que reúne 6 passos para fazer com que as 4 a 6 horas de sono diário sejam suficientes – não fiquei indiferente.

1) First, reduce TV. You sleep much better, and do much more work, when you don’t watch much TV.

2) Second, limit carbohydrates.

3) Third, limit meetings. Same as carbs. Blah blah blah

4) Fourth, I actually have specific hours I need to sleep to do well, not a specific number of hours.

5) Fifth, when I get a few energy slumps, I rely on some tried and true solutions: I switch tasks to things I really like (so I save that stuff for sleepy times).

6) Sixth, and most important, I REALLY, REALLY, REALLY LOVE WHAT I DO.

 

Parece simples… principalmente a 5ª etapa… simples, útil e muito funcional.

Aliás, estou agora mesmo a colocá-la em prática 🙂

|dormir bem – quando a qualidade é bem mais relevante do que a quantidade|

|quando a questão dos banhos vem a público|

Um grupo norte-americanos defende que o duche diário é desnecessário e que faz mal. Só se lavam quando lhes apetece e não usam desodorizante. Os médicos portugueses garantem que tomar um banho todos os dias não faz mal à pele, mas dois já é um exagero. Por outro lado, o uso de um desodorizante é fundamental.

o tema não é recente, tal como não são novos os argumentos trazidos para a discussão.

recorrentemente trocamos opiniões, experiências e pontos de vista aqui por estas bandas. estamos longe de chegar a um consenso. estamos longe de querer definir uma regra ou aquilo que deverá ser tido como uma prática universal.

partindo da notícia citada acima e de um tema abordado no blog do João Miguel Tavares – Pais de Quatro – onde se falava sobre a diferença de mentalidades quanto à questão do banho diário a menores de 6 anos, leva-me a concluir que não estou certa nem errada quanto à minha concepção de banho diário. apenas tenho as minhas rotinas.

a questão do banho poderá estar associada a questões climatéricas, a questões culturais [sempre desconfiei de um povo que inventa o perfume só para suprir a necessidade de tomar banho], ou mesmo a questões dermatológicas.

em termos de questões dermatológicas, se pensarmos nas agressões diárias que infligimos ao maior órgão do corpo humano, constatamos a necessidade de preservar o mesmo. e preservar é cuidar, mimar, proteger, mesmo que isso implique “passar por água”.

para mim, um banho não é apenas uma questão de higiene – é uma questão terapêutica. preciso de um duche de manhã para acordar bem disposta, preciso de um banho à noite para relaxar e combater as insónias. mais do que uma questão de higiene, é uma questão de bem-estar.

é também uma questão de rotina, pois é algo que foi colocado em prática desde que me lembro de ser gente. em casa dos meus pais havia bidé [ou bidet] que servia apenas para duas coisas: lavar roupa delicada e como suporte de revistas.

em minha casa, existe bidé [ou bidet] e serve exatamente para o mesmo.

tenho 9 sobrinhos, 7 dos quais entre os 6 meses e os 9 anos, e, na sua maioria, tomam banho diariamente. mesmo o mais novo é uma daquelas crianças que relaxa com o banho. uma vez mais, uma questão de rotinas, de hábitos de práticas. mesmo no caso de dois deles, com pele atópica, o banho tem um efeito calmante na pele irritada [com o devido controlo da temperatura, moderação no uso de sabonete e utilização de toalhas fofinhas]

junte-se todos os argumentos que eu acrescento mais um – gosto muito do cheiro a banho-acabado-de-tomar 🙂

|quando a questão dos banhos vem a público|

|manhãs de outono [e os 5 minutos de neura]|

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Manhãs de Outono = tempo de Escola.

era assim quando era miúda. o dia nascia bem fresco e envolto em nevoeiro. pela hora de almoço já o sol raiava, o tempo aquecia, e penduravam-se os casacos no vão de escada até à hora de ir embora.

pelo caminho pisavamos as folhas das árvores caídas no jardim. algumas delas estavam já amontoadas, pois a Ana e o Fernando estavam incumbidos da manutenção dos jardins do Passal. nós passavamos por cima, destruindo os montinhos e desarrumando tudo novamente. a Ana e o Fernando nunca ralharam, nunca chamaram a atenção, nunca disseram nada. chegavam até a ajudar a escolher algumas folhas e ouriços para os trabalhos da escola.

estas manhãs assim lembram-me esses dias. dias em que a minha neura se devia apenas ao facto de a minha mãe não me colocar as meias a combinar com a camisola e eu recusava-me sair à rua assim. a minha neura passava alguns instantes depois de ter saído de casa. o ar fresco da manhã arrefecia-me as ideias e acalmava-me as neuras.

hoje procuro o ar fresco da manhã para recuperar a energia de noites mal dormidas. procuro o sol da hora de almoço para procurar a paz e não pensar em nada. procuro a aragem fria das noites para arrefecer as ideias e acalmar as neuras. quando isso não basta, dedico-me às limpezas.

posto isso, desculpem-me os meus vizinhos pelo chuveiro que se estatelou dentro da banheira quando já passava da meia noite. estava a acalmar as neuras com a limpeza da casa de banho, com o som da água e o cheiro dos produtos de limpeza. alguma reclamação, remetam para a casa da minha mãe pois esta é uma herança dela.

|manhãs de outono [e os 5 minutos de neura]|

|nude|

gosto do efeito de pele perfeita, de pele naturalmente perfeita [com uma ou outra imperfeição que lhe são naturais]

sem máscaras, sem tonalidades estranhas, sem camadas e mais camadas.

gosto de maquilhagem [gosto mesmo muito de maquilhagem] pois gosto do efeito de pele cuidada, do efeito de “eu acordo assim todos os dias”, da ausência de esforço para parecer bem, com uma pele iluminada e saudável, sem artefactos.

gosto de “trabalhar” o olhar, intensificar a moldura em torno dos olhos, tornando-os mais expressivos.

sou incapaz de sair de casa de pele nua, sem um corretor de olheiras [pois já nasci com olheiras até ao queixo], sem um blush ou sem máscara nas pestanas.

mais do que isso, sou incapaz de sair de casa sem colocar hidratante no rosto ou um protetor solar.

mas faço-o diariamente sob uma pele limpa, tonificada e hidratada. criei a rotina que melhor se adapta a mim, à minha pele e ao meu estilo de vida, e tenho o cuidado de cuidar de mim diariamente, por muito egoísta que possa parecer.

quando comecei a colocar creme hidratante sem ser da farmácia, sem ser Mustela [que usei até aos 18 anos], comecei com os produtos da Clarins. Gostava das texturas e dos aromas.

Passei de marca para marca, testei, experimentei, rendi-me e perdi-me de amores por outras marcas. recentemente, voltei à Clarins e tenho tido o agradável prazer de conhecer os produtos dia após dia.

Esta nova coleção – Lady Like – acaba por espelhar aquilo que eu penso sobre a maquilhagem – leve, neutra e o mais natural possível. Ainda não experimentei a maior parte dos produtos mas confesso que ficou cá um bichinho daqueles à séria…

 

 

Para já estou apenas rendida às rotinas diárias – leite e tónico de limpeza, óleo, creme hidratante e  sérum…

Emtrevista com Prisca Courtin-Clarins, herdeira da marca, para a RUE
Emtrevista com Prisca Courtin-Clarins, herdeira da marca, para a RUE

 

Próxima etapa: máscara de pestanas e o novo eyeliner 🙂

|nude|