|entre linhas|

Perdi-me nas entrelinhas.

deixei-me levar pelo conjunto de “factos”, pelas provas, pelas evidências e desliguei-me das datas, dos meses e dos anos.

perdi-me nas teorias da conspiração, no enredo, nas testemunhas coagidas e outras desaparecidas.

de repente, foi como se levasse um soco no estômago. não estava preparada para o final daquela forma. ficou assim um sabor “agridoce”: gostei de ter sido apanhada de surpresa e fiquei danada por não conseguir confirmar as minhas próprias teorias.

Quando a noite cai

Basicamente, não sirvo para detective, tenho de conseguir concentrar-me mais.

Um bom livro, sem dúvida! E uma excelente companhia.

Seguem-se, agora, dois livros de Zadie Smith – White Teeth e On Beauty [adquiridos por 4,90€ na Fnac!!! Nem nas edições de bolso]

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|entre linhas|

|não fazer nada|

é-me difícil a arte de não fazer nada. fico irritada com horas livres sem nada para fazer.

Nao me concentro na mera contemplação, desvio o olhar, divago entre os diferentes níveis de pensamento [sim, detenho-me a pensar no que estou a pensar que estou a pensar… E por aí fora até onde conseguir distinguir pensamentos diferentes]

com o tempo tenho vindo a acalmar, a aprender a gerir o tempo e a angústia, a aprender a encontrar a calmaria das horas livres.

procuro um livro ou uma revista e sigo em busca de um pouco de luz, de calor e conforto [com um pouco de sorte, ainda consigo passar pelas brasas… Não! Não posso… É domingo.]

vou tentar concentrar-me em não fazer nada enquanto leio. Vou tentar relaxar e aproveitar a luz que ainda inunda a sala. Vou tentar deixar os outros descansar e concentrar -me em não fazer nada.

e estou muito mais tranquila… Dizem.

Quando a noite cai

|não fazer nada|

|noite de estreia – a escrita de Lobo Antunes|

Depois de alguma irritação com as redes sociais [esta coisa dos desafios para não pagar jantares não dá para mim], decidi percorrer a estante e ver o que haveria cá por casa de novo…

tenho andado a percorrer a Guerra dos Tronos e tenho aproveitado a companhia de Sir Arthur Conan Doyle e Sherlock Holmes durante as viagens de comboio. Mas estava a apetecer-me algo diferente.

ouvi inúmero comentários à obra de Antonio Lobo Antunes e estava a sentir-me reticente.. Uma escrita criativa, segundo dizem alguns, levava-me a recear pegar no livro errado e excluir por completo este autor das minhas listas.

O arquipélago da insónia, de Antónia Lobo Antunes
O arquipélago da insónia, de Antónia Lobo Antunes

ainda mal comecei mas não me parece muito estranho.

a ver vamos, com o avançar das páginas…

|noite de estreia – a escrita de Lobo Antunes|

[as coisas boas são para partilhar]

e este vídeo é completamente irresistível!

Não apenas por que quem está por detrás disto está-me no coração, mas também por que este é um exemplo do que se pode fazer de extraordinário com imaginação, criatividade e muita, muita dedicação!

As miudas da Cultureprint e esta “coisa” do BAIRRO DOS LIVROS trouxeram uma nova vida à cidade do Porto! Elas fazem magia com tudo aquilo em que tocam!

Desta vez, não poderei estar presente no dia a dia, mas vou aparecer por lá sempre que me for possível, para respirar um pouco desta magia e desta inspiração!

[as coisas boas são para partilhar]

[vícios]

livros

 

Nos próximos tempos estou proibida de me aproximar de uma livraria, de uma feira ou de qualquer outro sítio onde se vendam livros…

Nos últimos tempos tenho trazido muita coisa para casa, sem tempo para ler tudo aquilo que queria…

Já quase não tenho prateleiras livres cá em casa! Todos os que cá estão vieram depois do casamento… todos os outros continuam em casa dos meus pais e, por este andar, por lá vão continuar até eu conseguir juntar dinheiro para redecorar a minha casa e forrar as paredes com estantes….

Agora é agarrar-me a estes, “devorá-los” para, depois das festas, dedicar-me a outras leituras…

😉

[vícios]

[destacar e sublinhar]

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Fonte: Pinterest

Sempre gostei de observar as pessoas enquanto lêem…

Gosto da forma como seguram no livro, gosta da forma como o folheiam… gosto de calcular o tempo que demoram a mudar de página…

Gosto, sobretudo, da expressão do seu rosto… percebe-se se já desvendaram ou não o assassino ou se apenas desconfiam de alguém; percebe-se se o tipo é um canalha e anda a enganar e a usar a miúda; percebe-se se descobriu a razão de ser ou alguma inovação científica…

Mais ainda, sempre gostei de apreciar quem lê e toma notas, quem lê e sublinha ou destaca… sempre achei isso sinal de inteligência… como acontecia nos tempos de escola e faculdade.

Hoje percebo que esse gesto apenas ajuda a memorizar, é apenas um auxiliar para fixar algo que realmente nos despertou o interesse e que queremos guardar na memória… ficamos com a sensação que, se sublinharmos, se destacarmos, se marcarmos a página, aquela ideia permanecerá na nossa mente para sempre e quase que seremos capaz de a citar em diferentes circunstâncias.

Pelo menos esta é a minha esperança já que a minha memória me tem atraiçoado e nem sempre me deixa memorizar coisas que li e que gostava de relembrar todos os dias…

” A beleza é sempre alguém, no sentido em que ela se concretiza apenas pela expectativa da reunião com o outro.”

Valter Hugo Mãe, em Desumanização.

Já sublinhei, já destaquei e já copiei… vamos ver se a memória não me atraiçoa…

[destacar e sublinhar]

[Home alone]

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Dias de futebol têm destas coisas… Deixam-me assumir o total controlo da casa, da sala, do comando, do tempo…

Gosto disto… Gosto de ter tempo para não fazer nada e estar sozinha…
Gosto dos silêncios, gosto dos sons da serra lá fora, gosto de pouca luz…

Mas também gosto de te ter por perto… Muito mais do que de ficar só…
Gosto de me enroscar nos teus pés nas noites frias, gosto de te acariciar o cabelo quando adormeces…

Mas hoje precisava mesmo de ficar só… Eu, o sofá e os livros… Só por umas horas…
Assim, hoje seremos 3.. Só por umas horas…

[Home alone]

. nervoso miudinho .

Ainda estou com aquela sensação de nervoso miudinho que me remexe as entranhas… parece que tenho um qualquer teste de matemática ou algo para o qual não estou minimamente preprarada…

respiro fundo e o ar ainda custa a chegar aos pulmões…

 

. sinto-me um tanto ao quanto ridícula .

 

mas já passou… ou já vai passar…

ontem a Catarina veio ao Porto apresentar o seu livro…

já o tinha comprado na 6ª feira mas ainda não o tinha terminado de ler… queria lê-lo o quanto antes, queria termina-lo antes de a conhecer… tal como um jornalista, queria estar preparada antes de a conhecer…

já algum tempo que acompanho o seu blogue e que me emociono com o que escreve… parece uma pessoa real, alguém com medos e angústias, alguém que falha e se supera, dia após dia…

ontem não me foi possível assistir à apresentação do livro – obrigações de filha impediram-me de estar na Latina a horas decentes – mas hoje não queria falhar o Mercadito da Carlota.

E lá fui… munida do meu livro acabado de ler, de forma a que pudesse regressar a casa com um simples autógrafo… completamente fora do meu elemento, completamente às escuras e sem qualquer rede de segurança.

nunca pedi um autógrafo a ninguém… nunca tive ídolos que me fizessem percorrer um quilómetro que fosse para os conhecer pessoalmente… nas apresentações de livros, ficava nas filas de trás a ouvir e a ouvir e saía sempre de lá a pensar como tinha sido estúpida e infantil por não ter sequer dado os parabéns pela obra ao seu autor…

hoje foi diferente [ops! acho que não dei os parabéns! again!!!]

dirigi-me ao Mercadito a medo e encontrei a Catarina numa pequena secretária… um salão cheio de gente, cheio de miudagem, de papás, mamãs e seus rebentos, faziam parte do cenário…

falei muito, ouvi pouco… saí completamente do meu quadrado e sinto-me ridícula por isso… sem dúvida, falei demais, falei coisas que não falo a pessoas que conheço há bastante tempo – estou a precisar de terapia, claramente!

mas, pelo menos, não voltei para casa com a sensação de que podia ter falado, podia ter-me apresentado, podia ter conhecido a pessoa por detrás das palavras…

Assim, pude conhecer a Catarina e constatar que a imagem mental que criei corresponde à realidade… é real – bem real – e tudo o que escreve ganhou agora novos contornos.

Tal como o mostra no livro e no blogue, a Catarina é optimista e feliz por convicção, e isso está presente nos seus gestos, nas suas palavras e no seu olhar…

mesmo me sentindo ridícula, mesmo sabendo que não fui nem um pouco razoável e talvez até inconveniente, sinto-me feliz por ter decidido conhecer a Catarina.

Dias de uma Princesa - Catarina Beato

 

E Parabéns pelo livro, pela escrita e pela pessoa!

. nervoso miudinho .

[das coisas boas dos últimos dias]

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Estar pela baixa também tem coisas boas, ou não estivesse eu a colaborar com o #Letrasnaavenida

Um projecto com a chancela da CMPorto, mas com produção e organização quase exclusiva das meninas da CulturePrint, das minhas amigas (ok, também aparece lá o nome da Porto Lazer, mas é só por dizer que sim).

Esta feira de livreiros vem procurar reavivar o espírito inicial da Feira do Livro no Porto. Juntaram-se os livreiros da cidade e tem sido uma animação.

Livros, contos, música e uma panóplia de outras coisas animam a cidade durante 17 dias… E eu posso orgulhar-me de estar a colaborar neste projeto que promete fazer história e deixar marcas profundas 😉

[das coisas boas dos últimos dias]

[dos filhos dos outros]

Chegaram ainda nem 08h30 de uma manhã de domingo eram, bem dispostos, faladores e com uma bola de futebol nas mãos.

Caras de sono, próprias de quem ainda nem 8 horas tinha dormido, mas cheios de energia e prontos para um dia sem parar.

Claro que eu, com apenas 3 horas de sono, não estava propriamente preparada para o chorrilho de questões e observações que se seguiram, quanto mais para um dia de intensa actividade física.

O G. e o M. tinham tido a festa de aniversário do amigo F. no dia anterior.

Vinham ainda em êxtase por causa da festa a tentar contar todos os pormenores, falando sempre um por cima do outro…

“Sabes, tia, o bolo do F. era mesmo fixe! Era o estádio do Dragão! É que ele é mesmo maluco pelo Porto!”

“Sabes, tia, eu (G.) faço anos 11 dias depois do F. e o M. faz anos 7 dias depois do F. … Vamos ter festa juntos na escola e o nosso bolo vai ser do Real Madrid… No Domingo vamos ter festa em casa da avó Fernanda e o bolo vai ser um bilhar snooker”…

Isto é muita informação para um Domingo de manhã… muita informação, mesmo! Mas era apenas uma “aperitivo” para aquilo que se seguia…

Ele foi bola, foi cartas, foi acrobacias/ginástica, foi carros e camiões, foi luta livre e karaté…

Mas também houve 15 minutos dedicados à leitura…

Apesar de não ter literatura infantil em casa – não tenho crianças e a minha casa ainda não é propriamente “childfriendly” – lá se encontrou um livro com banda desenhada: “90 Livros Clássicos para Pessoas com Pressa”

O G. quis mostrar que já sabe ler pois já tem “quase” 8 anos – “faltam só 6 dias, tia!”, faz ele questão de lembrar – e esteve a identificar as diferentes cidades e países do mundo que apareciam por entre os quadradinhos de banda desenhada…

Sunday Afternoon readings...
Sunday Afternoon readings…

Já o M., que tem apenas 4 anos, adora que lhe leiam… e o que é que ele escolheu para eu lhe ler?! Nada mais nada menos do que uma parte do livro “Os Pilares da Terra”, de Ken Follett… Começa bem, o raio do miúdo!

“Paralisado de terror, Philip ergueu os olhos para a mãe. Os olhares cruzaram-se no preciso momento em que o outro indivíduo, o da barba, a atingiu em cheio. Ela tombou no chão, ao lado de Philip, a sangrar duma ferida na cabeça. O homem da barba apertou o punho da espada com ambas as mãos e inclinou-a para baixo; em seguida, levantou-a ao alto, quase como um homem que se prepara para se apunhalar a si próprio, e baixou-a. Quando o ponta se enterrou no peito da mãe, ouviu-se o rangido repugnante de ossos a fenderem-se. A lâmina penetrou profundamente; tão profundamente (reparou Philip, mesmo consumido por um medo cego e histérico) que lhe deve ter saído pelas costas e ido cravar-se no chão, fixando-a como um prego.”

– Se calhar, ficávamos por aqui… este livro não é propriamente para ti – disse eu.

– Continua, tia, continua para saber o que acontece a seguir… – disse-me o M., reabrindo o livro e empurrando-o para mim.

Óh pá! Acho que os meus cunhados nunca mais me deixam a tomar conta das crianças… Se fossem meus filhos, quase de certeza que vinham as senhoras da Segurança Social e mos tiravam…

A única solução para acabar com estas leituras foi agarrar nos dois e levá-los para um parque onde pudessem correr, jogar à bola, espernear, saltar… enfim, gastar a energia acumulada por aqueles 15 minutos no sofá e esquecer a sessão de leitura…

São uns pequenos diabos, estes meus sobrinhos, mas também são uns doces…

Conscientes do dia que me iriam proporcionar, chegaram de mansinho e deram-me um presente logo de manhã:

– Tia, é para apontares as tuas receitas… Assim, não tens de enviar por email para o tio para ele fazer para nós!

O que fazer perante isto?!

😉

Para as minhas receitas
Para as minhas receitas
[dos filhos dos outros]