|morena|

lembro-me de ser miúda e de me chamares de “minha morena”, de me chamares “linda morena”

hoje relembro esses dias com saudades e questiono-me se, se cá estivesses, seria eu [ainda] a tua morena?

relembro os teus gestos e o teu sorriso, o ar de criança traquina que contrastava com a tua idade já avançada. relembro os óculos à Marcelo Caetano, relembro os fatos impecavelmente engomados e o chapéu à artista de cinema. relembro o ar austero que contrastave com os gestos largos das tuas mãos.

hoje relembro-te com saudade e sinto o teu cheiro no ar.

hoje relembro a tua voz e a tua gargalhada e o teu sorriso.

hoje relembro-te e sinto [apenas] saudades.

 

|morena|

|para o lanche|

às voltas no Pinterest encontrei uma imagem de um bolo que me fez parar, assinalar e clicar para saber mais….

um bolo simples, despretensioso, com uma mistura única de sabores…

Peanut Butter Chocolate Cake
Peanut Butter Chocolate Cake

a receita só apareceria no final do post…

até lá, algo que me fez parar para ler e pensar… quantas amizades já ficaram esquecidas no tempo? quantas amizades apenas subsistem graças ao mundo online? quantas amizades poderiam ser resgatadas com um copo de leite e uma fatia de bolo?

ao longo do tempo, algumas das minhas amigas foram ficando presas num passado já distante… o rumo que cada uma de nós seguiu encarregou-se de nos afastar e deixar apenas a memória de uma adolescência despreocupada e divertida, sem grandes planos para o futuro, apenas a viver do presente.

os dias passavam e as correrias entre a casa de uma e a casa de outra eram mais que muitas. um caminho que percorríamos quase desde os 6 anos de idade e que acabamos por o esquecer depois dos 18 anos.

não tínhamos telemóvel e ainda mal se usava a internet, mas sabíamos quando uma precisava da outra… sabíamos quando uma chegava a casa tarde e precisava de uma desculpa para os pais; sabíamos quando as coisas com o namorado da altura tinham corrido mal e uma estava a precisar de colo. simplesmente, sabíamos… sem mensagens, sem telefonemas ou sem estados do facebook.

um namoro mal resolvido, a entrada para a faculdade, uma nova residência levou a um afastamento que nunca mais teve volta. chegamos a encontrar-nos, uma ou outra vez, mas nunca mais foi a mesma coisa.

sei que a vida continuou para ambas, sei que novas vidas já preenchem as vossas vidas, sei que novos horizontes vos preenchem os dias e vos afastam das ruas que percorríamos em miúdas.

eu também já não percorro os mesmos caminhos, eu também tenho novos horizontes e uma nova vista que não a rua que partilhávamos.

mas não deixo de pensar se está tudo bem, não deixo de pensar no que mudou, não deixo de pensar que contornos têm agora as nossas personalidades.

não sei se, se ainda percorrêssemos as mesmas ruas, seríamos amigas… se conseguiríamos partilhar as diferenças que sempre nos caracterizaram… sei que penso muitas vezes que talvez precisem de mim como eu preciso de vocês… que talvez fosse bom voltar a estar perto e a partilhar um pouco da vida descontraída que tínhamos…

talvez fosse bom marcarmos um lanche lá em casa e sentarmos à mesa para falar dos últimos 14 anos.

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131Peanut Butter Chocolate Cake

qualquer dia pode ser que nos encontremos – nas ruas que percorremos na adolescência ou noutra rua qualquer – e que combinemos um lanche/um café ou que fique apenas pela troca de algumas palavras, de pé, junto à porta do carro ou à porta da casa de um alguém que ainda temos em comum.

qualquer dia pode ser que os nossos pensamentos se alinhem e que voltemos a adivinhar aquilo que faz falta a cada uma…

Peanut Butter Chocolate Cake
Peanut Butter Chocolate Cake

… ou talvez não, mas acho que ficaríamos a perder uma bela fatia de bolo…

|para o lanche|

|adormecer|

Hoje vou adormecer a sonhar com isto

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Capri
What Kate Ate - Lemon Pudding with Blueberry Compote
What Kate Ate – Lemon Pudding with Blueberry Compote

E com este blogue lindíssimo!

E sonhar ainda com a possibilidade de por as mãos nos livros da Kate!

E sonhar com os sabores e aromas deliciosos que emanam das fotos da comida que ela apresenta [é perfeitamente possível imaginar as texturas, os sabores frescos, a forma como se fundem no paladar… dá vontade de devorar tudo!]

Sonhar não custa e dorme-se muito melhor!

|adormecer|

|cheiros|

O meu dia é marcado pelos cheiros.

O cheiro a banho, a toalhas fofas e a roupa lavada.

O cheiro a leite com café, pão torrado ou cereais.

O cheiro do meu e do teu perfume a sair apressadamente de casa.

Já na estação, sinto o cheiro da multidão, das gentes que se apinham para apanhar o comboio… da senhora muito bem vestida e maquilhada [e que deve trabalhar numa perfumaria da baixa]; do homem que se aproxima e já de cigarro entre os dedos; do miúdo de 13 ou 14 anos que ainda não tem o olfacto bem apurado e se encharca em perfume para seduzir a miúda lá da escola.

A carruagem inunda-se de cheiros diferentes; cheiros quentes e doces que se misturam com o cheiro a chuva, que se misturam com o cheiro a sono, que se misturam com o cheiro a planos e a reuniões de toda uma semana de trabalho.

Aqui também se sente o cheiro a pão… alguém vem a tomar o pequeno almoço no comboio e traz consigo o cheiro a pão fresco com manteiga.

Já na saída do metro volto a sentir o cheiro a café. café expresso, acabado de tirar. Tomava outro café [aliás, tenho mesmo de tomar outro café para não deixar margem de manobra à dor de cabeça das segundas feiras de manhã].

Muitos destes cheiros acompanham-me até ao escritório, fazem parte da minha viagem, fazem parte do meu dia.

Vivo de cheiros que me trazem à memória as rotinas, as vivências, as estórias da minha adolescência e do início da minha vida adulta. não sou saudosista. sou sensível aos cheiros. e com eles identifico as pessoas, as minhas pessoas, as pessoas dos outros, os meus sítios e os sítios dos outros.

Os cheiros são o gatilho da minha memória, são o meu sudoku ou as minhas palavras cruzadas. são como um exercício diário para manter o cérebro em constante actividade.

|cheiros|

|kit fim de ano|

[ou kit essencial para festas]

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Kit SOS Rambóia
DIY-New-Years-Eve-Favors-OSBP-11
Kit SOS Rambóia

 

A ideia não podia estar melhor conseguida e no timing perfeito!

As festas estão aí e com elas tudo o que é excessos…

Nada melhor do que aproveitar a época natalícia e brindar os seus com um mimo especial – e a pensar no bem estar de cada um 😉

 

Para mais pormenores, consultar aqui – Oh So Beautiful Paper

|kit fim de ano|

[Remexer no passado]

Gostava de guardar as minhas memórias em pequenas caixa, em pequenos guarda-joias…

Basicamente, com o tempo, fico com a sensação que é mesmo isso que são as minhas memórias – pequenas jóias que apenas têm valor para mim.

Ou porque as usei numa determinada ocasião ou porque me foram oferecidas por alguém que me foi ou é especial.

Hoje espreitei uma dessas caixas… Não a abri totalmente pois tive medo de perder o seu conteúdo… tive medo que, à luz dos dias de hoje, perdesse a importância, perdesse o sabor de outros tempos… também porque tive medo de trazer o passado para um presente onde já não há lugar nem espaço para essa peça da mais fina joalharia…

Fico-me pelos sons que despertam outros sentidos e ajudam a prevenir o “Alzheimer”…

[Remexer no passado]

[do dia dos avós]

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Já há muitos anos que não tenho avós e desde cedo aprendi a sentir a falta deles…

Principalmente do meu avô paterno. Morreu quando eu tinha 6 anos mas lembro-me dele como se fosse hoje.

Ainda sinto o cheiro da água de colónia dele… parece que ainda o consigo ver a barbear-se junto do lavatório em ardósia que tínhamos na casa de banho cá de fora… passava a lâmina e olhava para mim, explicando-me, com a boca meio de lado, que aquilo era coisa de homens, que eu era uma menina e que nunca ia precisar de fazer aquilo…

Eu divertia-me imenso quando, depois das refeições, lhe implorava para tirar a dentadura para eu o ver a escová-la… coisa nojenta de se ver mas eu achava piada e ele fazia a brincadeira de mexer os dentes, fazendo de conta que a dentadura mexia sozinha.

Nunca fui filha única, nem neta única… era uma das do meio, no meio de 13 netos. Sempre tive companhia, sempre tive de partilhar a atenção, mas, no entanto, sempre fui muito mimada pelo meu avô e pelo meu pai.

O meu avô, taxista tal como o meu pai, gostava de me levar com ele quando saía. E eu gostava de o acompanhar. Quer no carro, quer em casa, eu andava – qual carrapato, qual quê – colada no meu avô. E ainda hoje há determinados cafés onde entro e os funcionários mais antigos se referem a mim como “a neta do Zé de Valongo”.

O meu avô, com !,80mt e óculos à “Marcelo Caetano”, era uma figura respeitável, de peito largo e coração enorme. No dia antes de falecer ajudei-o a arrumar umas telhas que estavam na eira para dentro da garagem, pois era 5ª feira Santa e a eira tinha de ficar arrumada para os festejos de Páscoa. Lembro-me de uma discussão que assisti através do pequeno postigo da garagem. Lembro-me do jantar – pataniscas com arroz de feijão vermelho no meu prato de plástico azul. Foi-se deitar enquanto a minha avó assistia televisão (“A Cornélia” ou “A Filha da Cornélia”).

Desapareceu da noite para o dia e eu recordo-me perfeitamente de como foi dada a notícia. Foi a primeira vez que vi o meu pai chorar e foi a primeira vez que tive consciência do que era a morte; do que era partir e não voltar mais. Ainda lhe toquei nas mãos frias quando já se velava o corpo dele, mas não foi suficiente para ele “acordar”. Eu tinha acabado de fazer 6 anos e tinha-o ajudado a escovar a dentadura na noite anterior.

Não conheci a minha avó materna, adoro os meus outros avós, mas tinha um carinho muito grande por este…

Eu era – e serei sempre – a sua carriça, a neta do Zé de Valongo.

[do dia dos avós]

To a new year!!!

Source: stylemepretty.com via Jill on Pinterest

2012 foi, talvez, dos piores anos de que tenho memória…

apesar de algumas coisas boas que foram acontecendo ao longo do ano, muita coisa má aconteceu e deixou marca para o resto da vida…

desde o dia 3 de outubro que se tem vindo a aprender a viver com uma nova noção de realidade, que se tem vindo a aprender a relativizar os acontecimentos quotidianos…

do mau se fez bem e com isso novas oportunidades foram dadas aos “pequenos” acontecimentos… a vida tem um novo sabor… se muitas vezes é amargo, em algumas outras o que poderia ser amargo tornou-se ligeiramente mais doce.

Vamos vivendo um dia de cada vez, junto dos nossos e de todos aqueles que são um pouco mais feliz apenas porque nós existimos!

Agora vamos lá trabalhar pois esperam-me duas semanas alucinantes que culminam em 7 dias em Paris (working hard, for sure…)

To a new year!!!