| desejos de verão |

há sabores que me remetem diretamente para o verão e eles estão nas frutas, nas saladas, nas bebidas, e nas combinações de todos estes ingredientes…

não fosse o desarranjo que por cá se vive, este seria o meu almoço:

salada de mozzarella, presunto, pêssego e manjericão… com um toque de mel e vinagre balsâmico e está perfeito 🙂

 

imagens e receita em Wit&Delight

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| desejos de verão |

|do orgulho que não se mede em palavras|

[nem em prémios, menções ou reconhecimentos]

ao longo dos anos tenho tido o prazer de me fazer rodear de pessoas tão especiais, tão geniais e tão únicas que me fazem sentir orgulho a cada um dos seus feitos.

somos todas muito diferentes, quer em estilo de vida quer em personalidade. encontramo-nos algures entre a paixão pela comunicação e divergimos a partir daí.

são anos e anos de palavras soltas, anos e anos de gargalhadas e lágrimas, anos e anos de conversas à mesa e de emails mais ou menos longos com novidades mais ou menos bombásticas [ou meramente corriqueiras].

são muitos os quilómetros que nos separam, são muitos os sonhos e objetivos que nos distanciam, mas nada nos une mais do que sentimos umas pelas outras.

e nestes últimos tempos não podia estar mais orgulhosa por ver o talento, o esforço e a dedicação de quem me é querido reconhecido além fronteiras.

todas sabemos o quanto a .j. é especial. todas nós reconhecemos naquele olhar doce a chama e a curiosidade que lhe paira na mente, a forma diferente de ver as coisas, o outro lado de tudo o que os outros vêem. a.j. sempre conseguiu ver para lá das linhas e dos fotogramas. sempre conseguiu ler para além das letras e das palavras. e hoje, esse trabalho é mais do que meritoriamente reconhecido. já o foi anteriormente, a nível nacional e internacional, e hoje junta um dos mais prestigiados prémios do jornalismo europeu – European Press Prize – na categoria de Inovação.

o mérito e o prémio é de toda a equipa, mas hoje é a .J. que interessa. é dela que me orgulho, é o percurso dela que me deixa de coração cheio, é o talento, o profissionalismo e a dedicação dela que elogio. Parabéns!!!

Para ver, ouvir e recordar.

http://multimedia.expresso.pt/jihad/PT/matar-e-morrer/index.html

 

|do orgulho que não se mede em palavras|

|seria eternamente verão|

hoje, ao ouvir a entrevista a Leonor Poeiras na plataforma Maria Capaz, foi como se tivesse voltado muitos anos atrás até ao momento em que eu imaginava como seria a minha vida lá mais para a frente no tempo.

sim, também na minha cabeça, muita coisa se pintava em tons de azul… céu e mar. muito céu e mar. muita praia, muita vida ao ar livre, muita brisa, muito sol e  muito sal na pele.

quando era miúda ainda não sabia bem o que era bossa nova. ainda não imaginava banda sonora para aquilo que eu achava que viriam a ser os meus dias no futuro. sabia que o som seria suave, animado e daqueles sons que transpiram boas energias e que trazem sal nas notas.

em miúda achava eu que viveria mais perto do mar. recolhi recortes da Casa Cláudia e decorei a minha casa como se esta fosse uma eterna casa de férias.

na minha cabeça de miúda também havia lugar para frio e vento, para chuva e fortes tempestades. daquelas bem ao género do cinema americano, daquelas que só acontecem junto à praia e que passam em menos de nada, sem deixar rasto. as pessoas molham-se enquanto tentam escapar entre os pingos da chuva, e recolhem dentro de casa, secando-se com toalhas fofas e brancas. no dia a seguir já tudo passou e tudo segue normalmente.

na minha cabeça de miúda seria eternamente verão. mas só mesmo na minha cabeça de miúda.

Casa de Praia
Casa de Praia
|seria eternamente verão|

|sobre um amor que deveria ser incondicional e irrevogável (à maneira antiga)|

os dias não vão fáceis e as notícias são da maior podridão que pode haver.

desde a passada semana que assistimos a um rol de cenas macabras, de cenários negros e de profunda podridão da sociedade atual, da sociedade à qual eu pertenço e pela qual, também eu me sinto responsável.

não sei o que me surpreende mais… se a maldade dos putos, se o voyeurismo exacerbado dos dias de hoje… não entendo a necessidade de exibir a maldade como um troféu, a necessidade de atuar como “o olho que tudo vê”, a vontade de linchar e julgar em praça pública aquilo que são os podres da sociedade em que vivemos [este aspecto ficará para um outro post].

mas sei que me surpreende – e muito – a total “desordem” dos valores que para mim são básicos e essenciais: o amor maternal ou paternal, o respeito por mim e pelos outros e a liberdade [a qual me ensinaram que termina assim que começa a liberdade do outro].

depois de ler o artigo de Daniel Oliveira – gosto muito de muitas das sua crónicas – não podia estar mais entristecida pela “sacudidela de água do capote” que se assiste por estes dias.

não digo que os pais sejam culpados de tudo, pois, de facto, não o são. mas, em última instância, a condição de pai ou mãe presume um tal sentimento de posse, de responsabilização e de amor pelas suas crias, criando um cenário onde não há margem possível para uma desvinculação perante os atos dos filhos.

“Deus me perdoe o que vou dizer, o meu filho morreu, o que fez vai ter de pagar e sozinho, pois não posso acompanhá-lo nesta etapa. (…) Devia ser entregue para fazerem justiça pelas próprias mãos, é um desgosto muito grande, um pesadelo. A minha vida acabou, preferia mil vezes que ele estivesse no lugar do Filipe. Talvez um dia ele me perdoe por não o ter acompanhado, mas perante a situação não dá mesmo. Os pais não têm de pagar pelos erros dos filhos e vice-versa. (…) Peço perdão, não posso fazer mais nada nesta hora.” Quem escreveu estas linhas, no Facebook, esse confessionário global onde a intimidade é quotidianamente massacrada, foi a mãe de Daniel, o rapaz de 17 anos que terá cometido o homicídio de Salvaterra de Magos.

“Não julgo – como poderia julgar –as responsabilidades da mãe do Daniel pelo crime que ele cometeu. Apenas não posso, sem precisar de mais nada para além do meu instinto paternal, de deixar de me arrepiar com a forma como esta mãe oferece à comunidade, na busca de perdão para si, o seu filho para sacrifício. Só uma relação extraordinariamente deformada pode levar uma mãe a desejar a morte de um filho e a desistir dele nos piores momentos. Para julgar o Daniel estamos cá todos. Os pais amam irremediavelmente as suas belas e horrendas criaturas. E quando não amam estão amputados de forma brutal na sua existência. Podem procurar no filho a responsabilidade do seu desamor. Mas é provável que estejam à procura no lugar errado.

Mas ainda mais arrepiante do que a frase da mãe, que a perturbação, o sofrimento ou o medo podem explicar, é ler os comentários de pessoas que não estão emocionalmente envolvidas no caso e vê-las aplaudir estas frases arrepiantes, como se precisassem que a mãe do homicida se juntasse ao coletivo de juízes. Como se a singularidade do amor maternal e paternal não fosse a de até um homicida o merecer. E ao ver que nem isto é óbvio, percebo mais uma vez que o que vivi não chega para compreender todas as partes negras da vida. Nem a de que haja tanta gente que não sinta que o amor pelos seus filhos é incondicional e irrevogável. Acima do bem e do mal.”

|sobre um amor que deveria ser incondicional e irrevogável (à maneira antiga)|

|se a moda pega|

seremos bem capazes de recuar mais de 40 anos no tempo…

Senão vejamos:

“manter o seu espaço de trabalho arrumado e minimizar a utilização de objectos pessoais”; “utilizar apenas as zonas demarcadas para circulação, mesmo que seja este o percurso mais longo”; “evitar falar num tom de voz elevado com outros trabalhadores no mesmo espaço ou ao telefone fixo ou móvel; e “colocar o telemóvel em modo discreto”.

“Os trabalhadores não podem conceder entrevistas, publicar artigos de opinião, fornecer informações ou publicitar textos de qualquer natureza, que não estejam ao dispor do público em geral, por iniciativa própria ou a pedido dos meios de comunicação social, sem que, para qualquer dos casos, tenham obtido autorização prévia da Direcção Superior”.

impõe que os trabalhadores informem “os respectivos superiores hierárquicos de eventuais suspeitas que tenham  relativamente a comportamentos e situações ilícitas, violadoras do previsto no presente Código e/ou regulamentação interna da DGAJ”.

o primeiro ponto não me choca propriamente. apenas me entristece que seja necessário redigir um documento de onde constem estes princípios básicos, referentes ao trabalho em open space, seja numa instituição pública ou privada. deveria haver uma espécie de bom senso generalizado, pautado essencialmente pelo respeito pelos outros e pelo trabalho.

quanto aos outros pontos, fica assim uma espécie de sabor ácido na boca quando se fala em “dever de informar os respectivos superiores hierárquicos de eventuais suspeitas que tenham  relativamente a comportamentos e situações ilícitas (…)”

sempre me questionei como seria ter vivido no período prévio ao 25 de abril de 74… parece que já estive mais longe de conhecer esta realidade…

e isto somado à proposta de alteração da lei da cobertura mediática dos atos eleitoriais, é caso para nos deixar alerta…

just saying…

|se a moda pega|

|aprender a gostar|

o tempo tem destas coisas. ensina-nos a gostar.

aprendemos a apreciar novos paladares, novos odores, novos sons.

o passar do tempo pode até, talvez, criar mais barreiras, mais pré-conceitos, mais pré-juízos. pode até restringir a capacidade de de nos deixarmos levar, de nos deixarmos seduzir e ludibriar pelos sentidos.

mas o passar do tempo também nos traz algum discernimento, uma certa tranquilidade e serenidade que nos permite apreciar novos [e antigos] sabores, odores e formas. a idade educa os sentidos. e com o passar dos anos aprendi a gostar da língua francesa.

no cinema, na literatura e na música.

Paris não é a minha cidade-fetiche; não delirei com Paris, mas deliro sempre com a vontade de lá voltar e de conhecer um pouco mais de um país que nunca me fascinou mas que agora me deixa curiosa.

|aprender a gostar|