| 3 meses|

há 3 meses atrás tudo mudou.

senti algo que nunca sentira antes. as dores e a emoção são incomparáveis, inesquecíveis e difíceis de colocar em palavras.

recordo cada segundo daquele dia, desde a primeira contração ao momento em que te colocaram no meu peito. os meus olhos alcançavam um ser tão pequenino que era, na realidade, maior do que o mundo inteiro. um pequeno ser capaz de encher toda uma vida, uma série de vidas que aguardavam a tua chegada.

a partir daquele momento, tudo mudou. a minha tolerância, a minha paciência, a minha capacidade de amar.

a partir daquele momento, tudo mudou. um ser tão pequeno fez de mim a mais feroz das feras e a mais doce das criaturas.

esta volta de 360º deixou a minha vida de pernas para o ar na mesma medida em que colocou todos os pontos nos is.

[apesar de não ser fã, esta música ficou para sempre na minha memória graças à equipa que te ajudou a nascer e que decidiu colocar música para ajudar a relaxar. Obrigada, Enf.ª Bebiana e Enf.ª Sabrina!]

| 3 meses|

|gerir a mudança|

como em tudo na vida, a grande dificuldade não está na mudança, está na gestão.

na gestão dos tempos, dos passos, das etapas, dos meios, das pessoas e, mais difícil ainda, das expectativas.

estou a aprender a mudar e a gerir essa mudança. a aprender a transformar ansiedade em entusiasmo, a aprender a viver o momento, o aqui e o agora. a apreender a equacionar cenários sem viver presa entre as paredes desses mesmos cenários. mesmo que isto pareça um contra-senso com o aqui e o agora.

estou a tentar concentrar-me na parte positiva, na parte em que é possível tornar os sonhos reais, mesmo que estes se desfaçam com um estalar de dedos.

aprender a ver as coisas pelo lado positivo, pois nem tudo pode ser mau.

prefiro acreditar que o pão do pobre não cai sempre com o lado da manteiga para baixo.

e que algum dia as coisas vão mudar.

com isto acho que me posso despedir de 2015 e que venha de lá esse 2016. é que este ano já deu o que tinha a dar.

|gerir a mudança|

|excepcionalmente bem disposta|

acordo cedo, bem cedo, de forma a poder afastar o mau humor antes que os outros abram os olhos.

acordo bem cedo para respirar fundo, afastar a preguiça e a birra pelas poucas horas de sono.

é o meu método, é a forma que encontrei de sair de casa de bem com a vida e com o mundo [e com a chuva e com o trânsito].

excepcionalmente, hoje levantei-me bem disposta, sem snooze, sem resinga e sem grunhidos.

levantei cedo, bem cedo, pois já havia luz na sala e na cozinha.

levantei bem cedo e abri a janela da sala para poder sentar e beber o chá tranquilamente, sem olhar para o relógio, sem pensar no dia que vem por aí.

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levantei cedo, bem cedo, e saí de casa à hora de sempre, mas com o bom humor dos dias de sol.

[e valham-me as playlists do spotify)

|excepcionalmente bem disposta|

|it’s a new Day, a new life, for me… And i’m feeling good|

Ter a certeza que o dia de ontem foi o último, que esta noite terá sido a última e que o dia que agora começa será o primeiro de uma nova vida.

Este é um caminho sem volta, com a certeza que nada mais será como antes, com a certeza que, mesmo que tudo corra menos bem, nunca nada será como foi até então.

O dia começa com a certeza de que esta terá sido a melhor escolha, a melhor opção, o melhor caminho.

O dia começa com a certeza absoluta de um novo começo. Um nova lente se impõe, uma nova lente que permitirá ver a vida de uma nova forma, sob uma perspectiva diferente, com um foco diferente e com uma nova correspondência de valores.

Não pretendo esquecer o percurso, não pretendo substituir por outras memórias as memórias dos dias passados. Pretendo manter sempre presente todas as etapas, todos os percalços, todos os pedregulhos que foram surgindo, que me fizeram tropeçar e levantar vezes sem conta. Não pretendo nada disso.

Pretendo recordar o dia de ontem, a noite passada e o dia que agora começa como um ponto de viragem, como um milestone em 33 anos de vida.

Começa agora um novo dia e com ele uma nova forma de ver a vida e de sentir o seu peso, e de calcular a sua importância.

Começa agora um novo dia e eu sinto-me bem.

|it’s a new Day, a new life, for me… And i’m feeling good|

|memória de elefante|

e de como esta constatação me deixou a hiperventilar…

como poderá ser possível ter memórias tão reais, tão presentes, tão vívidas, de uma altura em que eu tinha apenas 4 anos??? [ou a dias de fazer 4 anos]

lembro-me do jardim, lembro-me da mão do meu avô na minha, lembro-me da roupa de lã e do cachecol. lembro-me da boina do meu avô. lembro-me perfeitamente que estava frio, que seria outono ou inverno. lembro-me do pin no casaco da minha tia. lembro-me dos slogans que se gritavam na rua. lembro-me dos cartazes de apoio numa altura em que eu ainda nem sabia ler. lembro-me das cores, principalmente do amarelo.

lembro-me perfeitamente do combate dos dois políticos na segunda volta das eleições presidenciais de 86. lembro-me do candidato que o meu avô e os meus pais apoiavam. lembro-me de termos ido depois de almoço à escola – que um dia viria a ser a minha – para votar.

confrontada com a história, era impossível estar a falar de algo que aconteceu em 86. impossível tendo por base os registos da minha memória.

mas, se prestar bem atenção, o meu avô faleceu em 88, logo não haverá qualquer hipótese de isto ter acontecido noutro ano que não aquele.

até porque os factos não mentem, os registos estão lá, e a wikipédia, juntamente com todos os registos noticiosos, o confirmam.

certamente, terá sido um dia marcante para mim. talvez mesmo o meu primeiro contacto com a cidadania, não sei [pois isto já sou eu a especular].

até que ponto poderei confiar na minha memória? não terei eu confundido as imagens, criado uma espécie de associação entre os diferentes elementos, construindo uma nova realidade?

parece impossível, pois ainda sinto o calor da mão do meu avô na minha mão.

|memória de elefante|

|o lado feminino da questão|

agrada-me – se é que assim o posso dizer – perceber que há homens que se preocupam com a questão da felicidade feminina.

que há homens que se preocupam com a qualidade de vida das mulheres.

que há homens que se preocupam com a evolução da espécie, garantida pela influência positiva dos indivíduos do sexo feminino.

desde que em casa e a partir de casa.

desde que regressem ao lar.

desde que seja em prol da felicidade do esposo e dos filhos.

“as mulheres não queriam – com toda a razão – parecer-se com os homens. Queriam continuar a parecer mulheres, embora com direitos iguais.”

talvez a única parte em que estejamos de acordo.

tudo o mais me parece obtuso e demasiado “queirosiano”. partilho da opinião de alguns dos comentários que o artigo mereceu, e não deixo de considerar deprimente esta forma de pensar. nem o meu pai, nascido nos anos 50 e de educação tradicional, tem este tipo de abordagem sobre o papel das mulheres na sociedade [apesar de inúmeras vezes apregoar que criar uma filha é diferente de criar um filho].

a emancipação da mulher surge aqui como o acontecimento que despoletou toda a crise que agora vivemos, seja ela crise financeira ou crise de valores.

sem procurar alongar-me sobre um tema que poderá ser deveras discutido mas sem nunca levar a lado nenhum, deixo apenas o meu ponto de vista.

Em casa, ninguém ajuda ninguém; fazem ambos apenas aquilo que lhes compete para que haja equilíbrio, harmonia. A opção de ficar em casa – quer seja homem, quer seja mulher – deve apenas refletir uma opção consciente e ser o garante da felicidade, quer a título individual, quer a título coletivo, ou seja, no núcleo das relações pessoais.

 

|o lado feminino da questão|

|menos princesa, mais eu|

Nas peças infantis sempre tive o papel de bruxa má, duende ou qualquer outra personagem secundária.
Nas festas infantis sempre brinquei mais com os meninos e menos com as meninas.
Na escola sempre fui maria-rapaz e nunca a bonequinha.
Na adolescência sempre fui a melhor amiga e nunca o alvo da paixonite dos meninos, a rapariga pela qual todos os meninos suspiravam.
Durante toda a vida sempre fui aquele que se desenrascava bem sozinha, fosse para segurar sozinha o biberão, fosse para carregar alguma embalagem pesada.
Sempre fui mais do género elefante-numa-loja-de-cristais, mais ou menos desajeitada, com muito menos graciosidade que uma girafa [e muito menos pernas e pescoço, também].
Sempre fiz questão que assim fosse.
Sempre fiz questão de passar entre os pingos da chuva mas estar sempre lá. Sempre fiz questão de preservar as amizades e disfarçar os sentimentos.
Sempre fiz questão de me fazer de forte, de suster as lágrimas, de cerrar os dentes e suportar a dor.
Nunca me senti princesa, e hoje fiz questão de deixar o pouco de princesa que teimava em manter – os cabelos compridos que me permitiam entrançar umas quantas mechas – juntamente com os vestígios do verão que, a pouco e pouco, se vai embora.
Hoje fiz questão de voltar a ser eu, de voltar a sentir-me eu. Para isso foi preciso arrumar com 20cm de cabelo.
Olhando-me agora ao espelho sei que sou eu, completamente eu.
Nem mais menina, nem mais mulher, nem mais bruxa, nem mais princesa. Simplesmente, eu.

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|menos princesa, mais eu|

|num abrir e fechar de olhos passaram 8 anos|

 

Foi o primeiro lá em casa e deu corpo à nova geração.

Foi o primeiro filho, o primeiro neto, o primeiro sobrinho e o primeiro afilhado. foi primeiro em tudo.

permitiu experimentar um amor nunca antes sentido.

enquanto madrinha, fiz questão de estar lá desde sempre, de acompanhar cada etapa do seu crescimento, de o ajudar a crescer enquanto gente. nasceu à pressa, sem sequer ter completado as 33 semanas de gestação, mas foi abençoado pela força que protege os audazes [pois gosto de acreditar que assim tenha sido].

fiz questão de o acarinhar e de lhe ensinar a importância do abraço, do beijo, do sorriso. fiz – e faço – questão que aprenda a respeitar se quer ser respeitado, que aprenda a não fazer aos outros o que não gosta que lhe façam a ele. é um longo caminho, mas os alicerces estão todos cá.

tem tanto de mim, esta criança, que até faz tremer só e pensar no que ainda vem pela frente.

intempestivo e que não se contenta com um simples “porque não”.

desafiador, pois gosta de testar todos os limites.

estouvado, mas um bom menino.

são 8 anos de um amor pequenino que tem vindo a crescer sob a forma de gente, que tem vindo a crescer com o passar dos dias e que tem contribuído para intensificar o meu léxico no que toca a afectos.

gosto de recordar a cumplicidade que temos vindo a criar, algo nosso, difícil de compreender e de partilhar.

a minha falta de paciência para as birras é compensada pela total dedicação aos momentos que passamos juntos. quero que ele aprenda isso. que amar de forma incondicional não significa paciência sem limites nem ausência de princípios.

tal como há meses lhe prometi, hoje reforço-o – será sempre o meu menino, será sempre o meu bébé.

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o brilho no olhar e o sorriso com que me presenteou pelo meu aniversário 🙂

 

|num abrir e fechar de olhos passaram 8 anos|

|#omelhordomeudia de ontem|

De uma casa de dois, passar a uma casa de quatro.
Ser a única mulher em casa, rodeada pelos meus Zés.
Estes, chegaram de banho tomado e barrigas cheias. Cumpridas as restantes rotinas foi brincar, ver tv e adormecer no sofá.
Às 11h já tudo dormia e eu pude preparar o meu dia de hoje.
Preparar as pastas para as reuniões, rever as propostas, preparar a roupa, tomar banho e lavar já o cabelo. De manhã o despertador tocará as 6h e não haverá tempo para grandes aventuras.
Por entre as rotinas, lá os ia espreitando. Um no quarto, outro na sala. Dormiam sossegados.
Dava vontade de deitar bem junto, sentir-lhes o cheiro quente e o ritmo tranquilo daqueles pequenos corações.
Apesar da novidade – ter duas crianças em casa, uma de quase 8 anos e outra de quase 6 meses – não se alteraram muito as rotinas. Tudo se manteve tranquilo, tudo se fez.
De repente, a casa que parece grande para dois, tornou-se pequenina para quatro, com carrinhos, caixas de brinquedos, sacos de fraldas e biberões à mistura.
Uma verdadeira sensação de casa cheia – e coração mais cheio ainda!

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|#omelhordomeudia de ontem|

| 5 de Outubro |

Nas notícias, António Costa afirma pretender a reposição dos feriados de 5 de Outubro e 1 de Dezembro.

Com isto, o homem consegue um pontito na minha consideração… e meramente por interesses pessoais.

quero muito ver o cinco de outubro como feriado novamente.

foi a pensar neste dia que escolhemos a data do nosso casamento. não, não foi a coisa mais romântica do mundo, assim como a razão para nos casarmos também não foi totalmente romântica [nunca sonhei em casar, nunca sonhei em entrar numa igreja vestida de noiva. mas não me arrependo nem um pouco por assim o ter decidido].

o processo foi o mais racional possível:

temos casa

queremos viver juntos mas os pais estão contra a esta coisa do ajuntamento [ah, e tal, por que é pecado e é um desgosto que dás ao teu pai, e blá blá blá]

portanto, casamos para o ano.

quando?

humm… vamos ver o calendário…

quero casar no outono pois não gosto de dias muito quentes que me aborrecem [a mim e aos convidados] e eu gosto mais das cores do outono.

humm… ok, Outubro é um bom mês, pois está a começar a primavera no hemisfério sul, as viagens ficam mais em conta e sempre podemos escolher uma lua-de-mel lá por aqueles lados.

Sim, Outubro já não é época alta dos casamentos e devemos conseguir a igreja que queremos e o espaço que queremos sem dificuldade.

para a tua família não dá jeito casamentos ao sábado; eu não gosto de casamentos ao domingo… há feriados à segunda? pois, em outubro temos o 5, mas é à 3ª…

ok, casamos numa 2ª feira e no dia seguinte é feriado.

fazemos só jantar e noite dentro. os convidados têm o fim de semana para descontrair, as senhoras podem arranjar-se com calma de manhã e no dia seguinte toda a gente pode descansar…aliás, deve ser mais barato casar à 2ª do que à 6ª, ao Sábado ou ao Domingo…

Mais: nos anos seguintes poderemos sempre comemorar à vontade pois teremos sempre o dia seguinte livre!!!

Aaarrrgggghhhhh!!! Este Passos Coelho lixou-nos os planos!!!

Costa, se me estás a ouvir, põe lá de volta o feriado de 5 de outubro.

este ano ainda deu para perder a cabeça em festejos, mas para o ano já não dá…

| 5 de Outubro |