|big brother is watching you|

A moda dos vídeos e das fotos de situações embaraçosas tem vindo a fazer-me uma coceira desmedida.

Toda a gente gosta de passear pelo youtube e rir a bandeiras despregadas graças aos videos dos desgraçados que se estatelam contra uma qualquer árvore/poste/parede enquanto tenta fazer qualquer proeza… atira a primeira pedra quem não se desfez a rir com os trambolhões mal dados durante uma proeza de skate, ou uma queda aparatosa num qualquer piquenique de família enquanto se agarra uma corda e se salta para o rio… [mea culpa].

todos nós fizemos disparates. todos nós caímos em situações caricatas, todos nós rimos de alguém que se estatelou no meio da rua, todos sem excepção… mas a grande maioria deve dar graças por na altura não ser ainda comum colocar essas imagens para todo o mundo ver [eu dou graças por não haver facebook ou twitter no meu tempo de criança ou no meu tempo de queima das fitas].

sim, hoje em dia perpetua-se a asneira ao colocá-la nas redes sociais. já nada do que aconteceu no passado fica no lugar onde pertence – ao passado. para o bem e para o mal.

em conversa com uma amiga, em tempos, falávamos sobre a pressão a que todos estamos sujeitos, enquanto almoçávamos. parte da comida que lhe vinha no prato não estava grande coisa e ela decidiu colocar no tabuleiro e levar para trás.

“Já viste se me fotografam ou filmam agora e colocam nas redes sociais?! não tarda nada estou a ser julgada por deitar comida fora, por desperdiçar quando há tanta gente a morrer de fome. não tarda nada, estou a ser julgada em praça pública”.

passaram-se sensivelmente dois meses desde essa nossa conversa até esta notícia:

THE GREAT #PLANEBREAKUP OF 2015

Ao que parece, a “notícia” – ou “não notícia” também já foi divulgada pelos órgãos de comunicação social portugueses… um casal de namorados terminou a sua relação durante um vôo de 9 horas e alguém num dos lugares próximos decidiu transmitir a discussão, acompanhada de imagens, via twitter.

E é a isto que nos encontramos expostos. era isto que Orwell previra. era esta a sociedade do “1984” em que cada indivíduo espia e controla os seus iguais. é esta a “aldeia global”.

e isto é válido para conversas reproduzidas, para fotos e videos tirados/gravados à socapa, para tudo aquilo que nos é expropriado quando vivemos numa sociedade que se refugia no conceito de “rede social”.

a noção de liberdade é um pouco constrangedora quando a maior parte não conhece os seus limites… para mim continua a valer: “a minha liberdade termina onde começa o nariz do outro”…

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Para bater à porta...

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