|complexo de édipo|

é e será sempre o homem da minha vida, um amor daqueles que não se escolhem. daqueles amores que sabemos que estão sempre lá.

admiro-lhe o carácter, as feições e os gestos.

admiro-lhe a amabilidade, habilidade e paciência.

admiro-lhe a ternura e a honestidade.

admiro o facto de não ter medo de chorar, de se emocionar e de mostrar o que sente. [recordo-me da primeira vez que o vi chorar. “os homens também devem chorar. homens a sério sabem chorar”. tinha eu seis anos e velávamos o corpo do meu avô].

admiro o facto de, não sendo deste tempo, ser mais dos dias de hoje do que os homens de hoje.

dele herdei o tom de pele e a ansiedade. uma ansiedade que não se vê mas que está sempre lá e nos tira o sono. herdei o sistema nervoso, o medo disfarçado de coragem para aqueles que não nos conhecem. herdei também um ventrículo esquerdo disforme. gostava de herdar a bondade e a paciência, mas apenas ouvi [e ponho em prática] os gestos que me ensinou.

para as minhas amigas ele virou “o padrinho”. e, orgulhoso, recebe-as sempre de braços abertos e olhos marejados. faz questão de as acolher como se fossem suas. faz questão de mostrar o orgulho que tem nas filhas e em quem elas escolhem para as acompanhar.

tem ciúmes até da mãe. ciúmes da atenção que lhe damos, do facto de a chamarmos sempre ao telefone, de perguntarmos por ela sempre que entramos em casa. fica triste quando não cumprimentamos à chegada e mais triste ainda se não cumprimentarmos à saída.

treme de cada vez que vamos de viagem [sejam 100km ou 10 000km]. emociona-se de cada vez que alguém nos elogia. é incapaz de tirar uma foto às filhas sem que esta fique tremida ou desfocada.

questionei-o tantas vezes, testei todos os limites. os da paciência e os do amor. e tanto ele como a minha mãe me mostraram que o amor de pai e mãe não tem limites.

hoje o meu pai completa 64 anos. sei que nunca aqui chegará, que dificilmente terá qualquer contacto com este texto. sei que agora ainda deverá estar emocionado pela mensagem que lhe enviei. sei que logo o vou abraçar e dizer que o adoro. sei que vou roubar um pouco do colo para voltar a ser a menina do papá. apenas por uns instantes. para que nunca deixe de acreditar que é homem mais importante da minha vida. e para que nunca duvide que merece todo o meu carinho.

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2 pensamentos sobre “|complexo de édipo|

Para bater à porta...

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