|das coisas que fazem mais sentido hoje|

o orgulho.

sem dúvida alguma, o orgulho no pai que tenho.

há dias, secava-lhe as lágrimas quando se achava demasiado “lamechas” para ser o “homem da casa”, para ser o líder. achava-se incapaz por fazer da sua bondade a medida para a bondade dos outros. achava-se incapaz por ser capaz de se colocar no papel dos outros e de não ser capaz de prejudicar ninguém. antes prejudicar-se a si do que aos outros.

há uns bons anos atrás – 14 anos, talvez – demos-lhe os bons dias quando ele ainda estava na cama. levantamo-nos bem cedo e rodeamos-lhe a cama para o surpreender. a surpresa fê-lo duvidar se teria sido sempre um bom pai pois nem sempre nos dera aquilo que queríamos.

há uns bons anos atrás, tinha eu uns 17 anos, fechei a porta de casa ao meu pai como reacção ao facto de me terem fechado a porta de casa por ter chegado depois da hora. recebi o maior castigo de sempre: a indiferença do meu pai durante 5 dias consecutivos. nunca nada foi tão penoso, nunca nenhum castigo me doeu tanto e nunca nenhuma outra experiência me ensinou tanto.

há uns anos, levou-me a casa de uma amiga para que fossemos passar uns dias de férias. despediu-se de mim com os olhos marejados. perante o espanto da minha amiga, expliquei-lhe que não se tratava de duvidar ou não da qualidade da condução dela, mas sim do facto de me afastar de casa por quatro dias. de me afastar dele por 4 dias.

ao longo dos anos fomos sempre crescendo com a nítida consciência da efemeridade da vida, com a consciência que somos o aqui e o agora, que nos podemos perder uns dos outros e que nos podemos perder uns aos outros. foi assim quando aos 3 anos de idade vi levarem o meu pai numa maca, tirarem-no de casa a meio da noite e só o devolverem na manhã seguinte. e é assim de cada vez que o vejo com uma “aflição”, de cada vez que o vejo com uma indisposição, de cada vez que olho para as mãos trémulas e percebo que algo não vai bem.

de cada vez que as coisas correm mal, a cada vez que ele duvida da sua capacidade de líder, da sua capacidade para ser um bom pai, eu procuro lembrá-lo que tenho muito orgulho em ser filha dele! que posso sair à rua de cabeça erguida graças à educação que ele me deu. que posso ir na rua e cumprimentar este mundo e o outro pois sou filha do Araújo e neta do Zé de Valongo.

Se algum dia duvidares da tua capacidade de ser pai, podes sempre passar neste meu cantinho e reconheceres nas minhas palavras a tua bondade, a tua coragem, a tua honestidade e a tua resiliência. sem dúvida, posso dizer que sou hoje o espelho daquilo que me ensinaste e tenho tanto, mas tanto orgulho nisso!!!

Obrigado, Pai! Por tudo!

Advertisements
|das coisas que fazem mais sentido hoje|

2 pensamentos sobre “|das coisas que fazem mais sentido hoje|

Para bater à porta...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s