|dos castigos e dos riscos que corremos|

nem sempre concordo com a Inês.

aliás, politicamente, não estamos do mesmo lado.

mas, tal como a Inês, dou por mim a ser mais conservadora do que imaginava… principalmente no que diz respeito a princípios básicos da educação, da relação pais vs. filhos, do respeito e da liberdade.

e, apesar de não ter filhos [mas viver rodeada de miudagem] vejo nos textos da Inês algumas frases que refletem o que penso e, em parte, o que faço com os meus sobrinhos.

educar dá trabalho, exige tempo, fibra e determinação. e um castigo não o é só para os miúdos como também o é para os pais. e sobre isto lembro-me da minha mãe que, sempre que se zangava connosco, dormia lavada em lágrimas. uma palmada que nos dava acabava por lhe doer bem mais a ela quando a mim funcionava quase como “canção de embalar”.

infelizmente, acabamos por provar do nosso próprio veneno… queremos que os miúdos tenham acesso a todas as tecnologias e mais algumas, queremos que tenham direito a tudo o que merecem e esquecemo-nos que o que mais precisam é tempo.

Aquela tarde em que eu e os meus filhos ficámos de castigo foi prova disso. Fazer a vez das consolas, da televisão e dos computadores não é fácil. Tira-nos dos sofás, dos nossos computadores e das nossas televisões para sermos pais. Para ouvirmos e brincarmos com os nossos filhos, para os ensinar a jogar em vez de ser ao contrário – porque, se das consolas percebem eles, do Risco ou do Monopólio sabemos nós. O novo mundo não está mal e as tecnologias não são o Demo, o que está mal é a falta de opções que insistentemente damos aos nossos filhos: se eles soubessem que existe vida para além dos computadores e das consolas, de certeza que as listas de Natal seriam outras. Mas como os nossos fins-de-semana seriam mais barulhentos e trabalhosos, o melhor é deixar as coisas como estão e não se fala mais nisto.

 

[poderei vir a engolir tudo o que penso ou tudo o que digo que farei um dia que tenha filhos. mas serve este texto para me lembrar que, um dia, defendi que o importante é ter tempo, que o importante é a interação pais&filhos, que o importante são os momentos de partilha. que o wordpress nunca me deixe esquecer isso!]

 

Artigo também publicado no I.

|dos castigos e dos riscos que corremos|

3 pensamentos sobre “|dos castigos e dos riscos que corremos|

  1. Tempo. Palavra crucial, nos nossos dias. As crianças deveriam de ter uma disciplina de “gestão de tempo” obrigatória, na escola, desde cedo. Já basta o facto de não nascermos ensinados para lidar com o mais básico, quanto mais com o ritmo de vida que se impõe nos dias de hoje… 🙂

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