[dos filhos dos outros]

Chegaram ainda nem 08h30 de uma manhã de domingo eram, bem dispostos, faladores e com uma bola de futebol nas mãos.

Caras de sono, próprias de quem ainda nem 8 horas tinha dormido, mas cheios de energia e prontos para um dia sem parar.

Claro que eu, com apenas 3 horas de sono, não estava propriamente preparada para o chorrilho de questões e observações que se seguiram, quanto mais para um dia de intensa actividade física.

O G. e o M. tinham tido a festa de aniversário do amigo F. no dia anterior.

Vinham ainda em êxtase por causa da festa a tentar contar todos os pormenores, falando sempre um por cima do outro…

“Sabes, tia, o bolo do F. era mesmo fixe! Era o estádio do Dragão! É que ele é mesmo maluco pelo Porto!”

“Sabes, tia, eu (G.) faço anos 11 dias depois do F. e o M. faz anos 7 dias depois do F. … Vamos ter festa juntos na escola e o nosso bolo vai ser do Real Madrid… No Domingo vamos ter festa em casa da avó Fernanda e o bolo vai ser um bilhar snooker”…

Isto é muita informação para um Domingo de manhã… muita informação, mesmo! Mas era apenas uma “aperitivo” para aquilo que se seguia…

Ele foi bola, foi cartas, foi acrobacias/ginástica, foi carros e camiões, foi luta livre e karaté…

Mas também houve 15 minutos dedicados à leitura…

Apesar de não ter literatura infantil em casa – não tenho crianças e a minha casa ainda não é propriamente “childfriendly” – lá se encontrou um livro com banda desenhada: “90 Livros Clássicos para Pessoas com Pressa”

O G. quis mostrar que já sabe ler pois já tem “quase” 8 anos – “faltam só 6 dias, tia!”, faz ele questão de lembrar – e esteve a identificar as diferentes cidades e países do mundo que apareciam por entre os quadradinhos de banda desenhada…

Sunday Afternoon readings...
Sunday Afternoon readings…

Já o M., que tem apenas 4 anos, adora que lhe leiam… e o que é que ele escolheu para eu lhe ler?! Nada mais nada menos do que uma parte do livro “Os Pilares da Terra”, de Ken Follett… Começa bem, o raio do miúdo!

“Paralisado de terror, Philip ergueu os olhos para a mãe. Os olhares cruzaram-se no preciso momento em que o outro indivíduo, o da barba, a atingiu em cheio. Ela tombou no chão, ao lado de Philip, a sangrar duma ferida na cabeça. O homem da barba apertou o punho da espada com ambas as mãos e inclinou-a para baixo; em seguida, levantou-a ao alto, quase como um homem que se prepara para se apunhalar a si próprio, e baixou-a. Quando o ponta se enterrou no peito da mãe, ouviu-se o rangido repugnante de ossos a fenderem-se. A lâmina penetrou profundamente; tão profundamente (reparou Philip, mesmo consumido por um medo cego e histérico) que lhe deve ter saído pelas costas e ido cravar-se no chão, fixando-a como um prego.”

– Se calhar, ficávamos por aqui… este livro não é propriamente para ti – disse eu.

– Continua, tia, continua para saber o que acontece a seguir… – disse-me o M., reabrindo o livro e empurrando-o para mim.

Óh pá! Acho que os meus cunhados nunca mais me deixam a tomar conta das crianças… Se fossem meus filhos, quase de certeza que vinham as senhoras da Segurança Social e mos tiravam…

A única solução para acabar com estas leituras foi agarrar nos dois e levá-los para um parque onde pudessem correr, jogar à bola, espernear, saltar… enfim, gastar a energia acumulada por aqueles 15 minutos no sofá e esquecer a sessão de leitura…

São uns pequenos diabos, estes meus sobrinhos, mas também são uns doces…

Conscientes do dia que me iriam proporcionar, chegaram de mansinho e deram-me um presente logo de manhã:

– Tia, é para apontares as tuas receitas… Assim, não tens de enviar por email para o tio para ele fazer para nós!

O que fazer perante isto?!

😉

Para as minhas receitas
Para as minhas receitas
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[dos filhos dos outros]

4 pensamentos sobre “[dos filhos dos outros]

  1. Encantador este post. Cá em casa acontece tudo o que descreves mas ao cubo: os meus sobrinhos, os meus filhos e os amigos deles. Aprendemos muito com eles, mas é cá uma canseira, para não falar que “exigem” sempre panquecas, muffins ou bolo de chocolate. Já sabem que adoro cozinhar e tiram proveito disso. E eu adoro ver as suas carinhas felizes à volta da mesa do lanche.
    Um beijinho.
    Patrícia

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    1. Tenho 8 sobrinhos, dos quais apenas um é rapariga… Isto é o caos!
      Ela tem uns ciúmes enormes de mim pois eu “roubei” o eterno namorado dela, o tio preferido!
      Eles são uns traquinas de todo o tamanho mas sabem que há sempre colinho e brincadeira quando estão cá por casa 😉 e têm sempre o tio preferido por perto para lhes ensinar os truques mais espectaculares do mundo do futebol!
      Mas agora já cá tenho lápis de cor e papel! Só me falta trazer a colecção de livros infantis que tinha em casa dos meus pais 😉

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      1. Os meus têm por aqui muito espaço verde. Nunca se fartam de cá estar e nunca brigam. Acho tão estranho como entre tantos há tanta sintonia. Acontece que por aqui também são todos rapazes, sendo rapariga apenas a minha filhota. Acho que o género masculino é menos conflituoso e muito mais unido. Am I wrong?

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      2. Aqui tem dias… Há dois que são extremamente competitivos em todos os aspectos: nos jogos, na comida, na atenção que pretendem obter…
        Tem outros que são muito mais consensuais… É mesmo uma questão de “luas” 😉
        Domingo espera uma nova “sessão”, com o aniversario de dois deles 😉

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Para bater à porta...

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