[a cozinha como consultório]

Desde sempre vi a minha mãe tratar a comida como um medicamento…
Para ela, a comida tem essa propriedade milagrosa de curar tudo e mais alguma coisa.
Se estamos mais em baixo porque o dia não correu tão bem, devemos comer algo doce, uma qualquer guloseima para “aquecer a alma”…
Se estamos indispostos, febris ou até nauseados, nada como uma canja de galinha ou uma sopa de arroz para deixar qualquer um como novo.

A minha mãe diz que não gosta de cozinhar… Diz porque tem a “obrigatoriedade” de cozinhar todos os dias, em sistema de contra-relógio, enquanto toma conta da freguesia na mercearia.
Quer goste, quer não, o tempero dela é óptimo! E tudo porque cozinha com amor e com fé… fé nas propriedades terapêuticas da comida…

Tanto é que a melhor amiga dela sofreu um AVC e encontra-se presa a uma cama, sendo alimentada por uma sonda, ligada directamente ao estômago…

Para a minha mãe, a única coisa que lhe custa não é facto de ela nem sempre reconhecer as pessoas, de ela não conseguir falar ou andar… mas sim o facto de ela não poder comer, mastigar, sentir os diferentes paladares e as diferentes texturas… Se ela conseguisse, de certeza que recuperava muito mais depressa.

Talvez tenha herdado essa visão terapêutica da minha mãe, bem como muitas outras coisas que herdei dela… Gosto de cozinhar, gosto de ver as cores bonitas que decoram os pratos e gosto de ver o rosto de felicidade das pessoas quando provam o que preparei com tanto carinho…

Não sou expert, nem tenciono ser, mas gosto de tornar o dia um pouco mais agradável a partir dos tachos e panelas…

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[a cozinha como consultório]

2 pensamentos sobre “[a cozinha como consultório]

  1. Gostei muito do título e do teu texto. Nos alimentos está a cura para alguns males, sim senhora. E da receita, bem mediterrânica.
    Que tristeza, a realidade da amiga da tua mãe.
    Aproveitemos a vida, deliciemo-nos com uma guloseima ou outra de vez enquando, dediquemo-nos à família e aos amigos.. Em suma, que sejamos capazes de apreciar as pequenas coisas.
    Um abraço.
    Patrícia

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    1. Obrigado, Patrícia…
      Infelizmente, a vida prega-nos algumas rasteiras… E só nos apercebemos quando já é tarde demais…

      Por isso, o importante é mesmo viver um dia de cada vez e aproveitar tudo o que a vida tem de melhor!

      Que estes “pequenos obstáculos” nos ensinem a viver melhor😉

      Beijinhos e obrigado!

      Gostar

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