|luz de presença|

trocamos o escuro total pelo ponto de luz.

trocamos a porta aberta pela porta encostada.

trocamos os sonos prolongados por momentos temporários de descanso.

trocamos toda a racionalidade pela emoção de cada momento.

já lá vão cinco meses. cinco meses de aprendizagem. cinco meses a viver com o coração do lado de fora do peito (tal como me haviam dito que iria acontecer).

damos por nós a fazer as figuras mais parvas entre os corredores de supermercado só para te sacarmos uma gargalhada das boas. é ver-nos de rabo para o ar, no chão da sala, enquanto te fazemos cócegas na barriga. é ver-nos rebolar – no chão, na cama ou no sofá – para te mostrar como se faz e para te fazer rir, uma vez mais.

fazemos vozes parvas, fazemos ruídos estranhos, rimos com e sem vontade apenas para ver os teus olhos a brilhar.

falamos baixinho, deixamos recados, andamos em bicos de pés para que nada interrompa o teu sono.

deixo-te dormir no meu colo. deixo-te ficar para sentir o teu calor, a tua respiração. acabamos por ficar os três no colo uns dos outros para aproveitarmos o calorzinho bom do teu embalo.

olho-te no berço e só me apetece pegar-te, colar-te a mim e deixar-te dormir.

ontem deixei-te, pela primeira vez, por mais de duas horas. ontem, mesmo sabendo que estavas bem, doeu-me deixar-te. tínhamos as manhãs sempre para nós as duas. ficávamos na ronha das mantas, enroladas no sofá, enquanto tu quisesses. ontem senti o colo vazio pela primeira vez e custou. [hoje ainda custa, e amanhã vai continuar a custar, mas sinto que vai ser bom para ambas].

hoje passam exatamente 5 meses desde que te pegamos no colo, desde que te vimos e te sentimos do lado de fora do corpo. hoje passam 5 meses desde que aprendemos a dormir com um ponto de luz.mafalda

|luz de presença|

| 3 meses|

há 3 meses atrás tudo mudou.

senti algo que nunca sentira antes. as dores e a emoção são incomparáveis, inesquecíveis e difíceis de colocar em palavras.

recordo cada segundo daquele dia, desde a primeira contração ao momento em que te colocaram no meu peito. os meus olhos alcançavam um ser tão pequenino que era, na realidade, maior do que o mundo inteiro. um pequeno ser capaz de encher toda uma vida, uma série de vidas que aguardavam a tua chegada.

a partir daquele momento, tudo mudou. a minha tolerância, a minha paciência, a minha capacidade de amar.

a partir daquele momento, tudo mudou. um ser tão pequeno fez de mim a mais feroz das feras e a mais doce das criaturas.

esta volta de 360º deixou a minha vida de pernas para o ar na mesma medida em que colocou todos os pontos nos is.

[apesar de não ser fã, esta música ficou para sempre na minha memória graças à equipa que te ajudou a nascer e que decidiu colocar música para ajudar a relaxar. Obrigada, Enf.ª Bebiana e Enf.ª Sabrina!]

| 3 meses|

| desejos de verão |

há sabores que me remetem diretamente para o verão e eles estão nas frutas, nas saladas, nas bebidas, e nas combinações de todos estes ingredientes…

não fosse o desarranjo que por cá se vive, este seria o meu almoço:

salada de mozzarella, presunto, pêssego e manjericão… com um toque de mel e vinagre balsâmico e está perfeito🙂

 

imagens e receita em Wit&Delight

| desejos de verão |

| conhecer-te |

Os dias passam a uma velocidade incrível…

Olho para o lado e vejo-te crescer um pouco a cada dia. Percebo-o pelo espaço que ocupas no meu colo. Aos poucos, os teus braços e pernas vão para lá do meu peito e não consigo deixar de pensar no dia em que terei dificuldade em envolver todo o teu pequeno ser no meu regaço.

Decoro-te o cheiro e os traços de recém-nascido. Decoro-te os gestos involuntários [mesmo aquele que me pareceu uma carícia tua no meu rosto enquanto te amamentava]. Decoro-te a respiração tranquila, o queixo tremido e os pequenos gemidos que vais deixando escapar por entre uns lábios perfeitamente desenhados. Admiro a tua pele lisa, os pés compridos e as mãos de dedos longos.

Demoro-me a observar-te enquanto escrevo. Não quero perder nada de ti, deste tempo só nosso, desta natureza tão perfeita.

Um mês passou a voar e já não nos consigo imaginar sem este pequeno ser que nos enche toda a casa, toda a alma e todo o coração.

[por muito que não goste da voz nem da cantora, gosto da música e do “conceito”]

| conhecer-te |

| filha de sua mãe |

Observar a minha mãe com a minha filha no colo faz-me perceber claramente de onde venho.

reconhecer-me no papel de mãe apenas por ouvir a forma como a minha mãe a acalma. Reconhecer nas palavras da minha mãe a minha própria voz, as minhas palavras.

ouvir a minha mãe acalmar a minha filha é ouvir-me a mim… Ou vice-versa.

Os sons, os vocábulos, as palavras inventavas, a linguagem “abebezada”…

o olhar com um misto de ternura e desespero perante um choro indecifrável… Um colo pronto a acolher e uns braços prontos a envolver no mais terno dos afagos.

hoje, naquele que é designado como Dia dos Avós, não podia estar mais certa em como a minha filha tem os melhores avós do mundo.

 

| filha de sua mãe |

|concentração precisa-se|

o volume de trabalho intensificou e não deixa grande margem de manobra.

é tempo de seguir cronogramas, traçar planos, cumprir calendários, gerir tarefas e concretizar projetos.

o tempo não ajuda, desmotiva e baralha a ideia de que a Primavera chegou.

todas as ferramentas são úteis, todas as ajudas contam, todos os minutos são preciosos.

mas nada como a música para ajudar a manter o foco.

e hoje isto está em loop por estes lados.

[em modo de preparação para um fim de semana que se quer de descanso e de tempo para cuidar de mim e dos meus]

|concentração precisa-se|

|do orgulho que não se mede em palavras|

[nem em prémios, menções ou reconhecimentos]

ao longo dos anos tenho tido o prazer de me fazer rodear de pessoas tão especiais, tão geniais e tão únicas que me fazem sentir orgulho a cada um dos seus feitos.

somos todas muito diferentes, quer em estilo de vida quer em personalidade. encontramo-nos algures entre a paixão pela comunicação e divergimos a partir daí.

são anos e anos de palavras soltas, anos e anos de gargalhadas e lágrimas, anos e anos de conversas à mesa e de emails mais ou menos longos com novidades mais ou menos bombásticas [ou meramente corriqueiras].

são muitos os quilómetros que nos separam, são muitos os sonhos e objetivos que nos distanciam, mas nada nos une mais do que sentimos umas pelas outras.

e nestes últimos tempos não podia estar mais orgulhosa por ver o talento, o esforço e a dedicação de quem me é querido reconhecido além fronteiras.

todas sabemos o quanto a .j. é especial. todas nós reconhecemos naquele olhar doce a chama e a curiosidade que lhe paira na mente, a forma diferente de ver as coisas, o outro lado de tudo o que os outros vêem. a.j. sempre conseguiu ver para lá das linhas e dos fotogramas. sempre conseguiu ler para além das letras e das palavras. e hoje, esse trabalho é mais do que meritoriamente reconhecido. já o foi anteriormente, a nível nacional e internacional, e hoje junta um dos mais prestigiados prémios do jornalismo europeu – European Press Prize – na categoria de Inovação.

o mérito e o prémio é de toda a equipa, mas hoje é a .J. que interessa. é dela que me orgulho, é o percurso dela que me deixa de coração cheio, é o talento, o profissionalismo e a dedicação dela que elogio. Parabéns!!!

Para ver, ouvir e recordar.

http://multimedia.expresso.pt/jihad/PT/matar-e-morrer/index.html

 

|do orgulho que não se mede em palavras|

|mas está tudo louco?!|

quem olha para as notícias do que por cá se passa desde há uns dias, deve bem achar que sim.

a outra diz que, se tivesse de colocar umas coisas numa mochila e partir, levava apenas um iPhone e jóias… [aqui]

o outro disse que dava umas bofetadas nuns cronistas da imprensa diária e agora demite-se porque não abdica do direito à “liberdade de expressão” [aqui e aqui]

há ainda um outro que apresenta demissão porque o subdiretor do Colégio Militar reconhece que os alunos homossexuais são “convidados” a deixar a instituição [aqui]

no meio disto ainda temos o Draghi, na reunião do Conselho de Estado, a elogiar o anterior governo e a assumir que as reformas realizadas devem ser mantidas… basicamente, ele continua a aguardar [e a desejar] um Plano B do atual governo [aqui]

e tudo isto se parece muito com um fait-divers, não fosse o caso de ainda se aguardar o surgimento do nome de portugueses no caso “Panama Pappers” [aqui]

ainda bem que o fim de semana está à porta… caso contrário, ninguém teria tempo para seguir tantas “novelas” ao mesmo tempo.

|mas está tudo louco?!|

|difícil dizer por palavras|

é difícil descrever a primeira vez que te senti.

sentir mesmo.

sentir por fora e não por dentro.

sentir como se te colocasse a mão sobre os ombros e tu te voltasses para ver quem é. sentir como quando uma bolha de sabão nos rebenta na mão.

recordo o momento, recordo a hora e o dia.

recordo a mensagem que enviei ao teu pai e lhe contei que já te conseguiria sentir.

deixaste de ser real apenas no ecrã, no ecógrafo ou na minha barriga.

passaste a ser real para quem aguarda a tua chegada sem ter o mesmo privilégio que eu.

dizem que me ouves desde sempre. eu acredito que sim, mesmo que fale contigo apenas mentalmente, mesmo que tenhamos longas conversas sobre os dias que virão sem nunca ninguém nos ouvir uma palavra.

continua a não ser fácil fazer-me ouvir em voz alta. continua a não ser fácil exteriorizar o que se passa cá dentro. continua a não ser fácil fazer com que nos compreendam. continua a não ser fácil colocar em palavras tudo o que se vai sentindo por estes dias.

não sou fã deste estado mas estou a aprender a respeitar os sinais, os momentos e os dias que passam.

reconheço o privilégio e a responsabilidade. reconheço – e agradeço todos os dias – a fortuna destes momentos.

aprendo a esperar, a respeitar o teu, o meu e o nosso tempo.

não conto o tempo que falta… apenas o que já passou com a certeza de tudo estar a fazer para que o que aí vem seja bom, seja único e seja nosso – por inteiro.

ignoro as muitas histórias e confio na natureza e na medicina, confio nas estatísticas e nos sinais. acima de tudo, confio no amor e no carinho de quem te receberá por inteiro.

e isto é o #melhordomeudia, todos os dias, desde o dia em que te tornaste real.

|difícil dizer por palavras|

|a precisar de uma esplanada|

|ou um sofá|

se há dia que me sinto de rastos é hoje.

ontem foram mais de 600km [com uma pausa para almoço junto da praia]

um dia diferente de trabalho mas que deixou marcas.

hoje, o cansaço é terrível. o sono, as dores no pescoço e a voz ainda fanhosa do vento e do sol.

hoje, sentava numa esplanada e ficava bem quieta. óculos escuros, pernas esticadas e auscultadores [para não ouvir mais nada]

hoje, ignorava os inúmeros conselhos que insistem em dar sem que eu peça, ignorava as recomendações de quem acha que já tudo sabe, ignorava os ritmos de quem já trilhou a sua própria rotina, e deixava-me apenas ficar sentada.

hoje era isto: uma esplanada ou um sofá [desde que ninguém me chateasse]

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by Rob Bye, Bournemouth, England, United Kingdom

|a precisar de uma esplanada|