|embrutecer|

em·bru·te·cer |ê|
(em- + bruto + -ecer)

verbo transitivo e pronominal

Tornar ou ficar bruto, estúpido ou brutal. = EMBRUTAR

[de acordo com o priberam]
o tempo passa e é isto o que eu sinto. sinto-me tomada pelo meu lado mais bruto, mais frio, mais distante, mais sarcástico.
não que tenha perdido a capacidade de me deslumbrar, de me enternecer, de abraçar e de me deixar abraçar, mas reservo este momentos apenas para com aqueles que me são mesmo muito especiais, para aqueles que me conhecem até às entranhas e que percebem um esgar de dor mesmo atrás do meu melhor sorriso.
há dias, num jantar com amigos com quem já não estava há realmente muito tempo, percebi que o meu sentido de humor mudou nos últimos tempos. percebi que a minha paciência para determinados temas está longe de ser a mesma e percebi que facilmente relativizo as situações que me são mais incómodas.
enquanto segurava o copo de vinho entre os dedos dei por mim a pensar em tudo o que havia acontecido desde a última vez que estivemos juntos…
oh, pá!| tanta coisa aconteceu pelo meio! tanta coisa boa, tanta coisa má, tanta pedra e tão pouco sol…
impossível não embrutecer, impossível não colocar uma casca dura a servir de proteção…impossível não relativizar.
oh, pá! estou mesmo a ficar um bloco de gelo!
não, nada disso… estás mais vivida e o sarcasmo é apenas um refinamento do teu sentido de humor – ouviu-se do outro lado da mesa.
dias depois, essas palavras ainda fazem eco na minha cabeça, ainda deambulam de cá para lá, ainda me assolam quando pego nos meus sobrinhos ou quando abraço o meu afilhado já tão crescido… ainda fazem mossa quando me encolho e me encosto para dormir e me agradeces ao ouvido por tudo o que temos vivido juntos. e eu agradeço baixinho por estarmos juntos.
|embrutecer|

|aprender a gostar|

o tempo tem destas coisas. ensina-nos a gostar.

aprendemos a apreciar novos paladares, novos odores, novos sons.

o passar do tempo pode até, talvez, criar mais barreiras, mais pré-conceitos, mais pré-juízos. pode até restringir a capacidade de de nos deixarmos levar, de nos deixarmos seduzir e ludibriar pelos sentidos.

mas o passar do tempo também nos traz algum discernimento, uma certa tranquilidade e serenidade que nos permite apreciar novos [e antigos] sabores, odores e formas. a idade educa os sentidos. e com o passar dos anos aprendi a gostar da língua francesa.

no cinema, na literatura e na música.

Paris não é a minha cidade-fetiche; não delirei com Paris, mas deliro sempre com a vontade de lá voltar e de conhecer um pouco mais de um país que nunca me fascinou mas que agora me deixa curiosa.

|aprender a gostar|

|uma casa num abrir e fechar de olhos|

chamam-lhe “um refúgio inteligente” e foi desenvolvido pela NOEM, em Espanha.

El-Refugio-Inteligente-by-NOEM-1

apresenta-se como um conceito de habitação “smart”, na medida em que permite que o seu proprietário controle a casa pela via remota, simplesmente através de um equipamento mobile.

trata-se de um refúgio que corresponde a parâmetros de energia sustentável, recorrendo a materiais recicláveis, como a madeira prefabricada.

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pequeno, concentrado, mas com tudo a que se tem direito num pequeno refúgio!

 

 

> Créditos | Artigo visto em Freshome 

> Créditos | Fotos de Meritxell Arjalaguer

|uma casa num abrir e fechar de olhos|

|chamam-lhe “democratização”|

há até quem lhe chame “progresso”, “evolução”.

o certo é que, hoje em dia, todos nós comunicamos. todos temos algo a dizer e podemos fazê-lo para uma vasta audiência [e aqui, contra mim falo, pois dedico-me a escrever neste espaço coisas que não interessam nem ao menino Jesus]. e muitos de nós escudam-se no monitor e no teclado e tecem longos e aprofundados comentários por essas redes sociais fora, nos fóruns dos órgãos de comunicação, etc. dissertam sobre a vida dos outros, opinam sobre os “casos do dia”, prestam [ainda] aconselhamento aos mais diversos níveis. de forma gratuita. sabem de cor o que os outros pensam ou dizem pensar, e que aquilo que dizem não é o mesmo que aquilo que pensam. e comentam-no. nas redes sociais ou nos fóruns. por vezes, comentam a vida privada dos mesmos, dos visados nos artigos de opinião ou noticiosos.

nada contra.

a não ser o assassínio da língua portuguesa [mesmo que digam que a culpa é do Novo Acordo Ortográfico].

é vê-los a confundir os “ás” com os “às”, os “às” com os “hás”, o “-se” com o “sse”… são tantos, mas tantos os exemplos que por aí andam!!! mesmo em órgãos de comunicação social de referência, mesmo em comentários de pessoas aparentemente eruditas e que até dominam o tema, mesmo em artigos de pessoas chamadas de “líderes de opinião”.

a título de exemplo:

“foje-lhe a boca para a verdade”

“estives-te muito bem”

“sem doze nenhuma de realismo”

“self-made mans”

“ainda à muita coisa mal explicada”

“quéro ver”

“à indicios que”

não sou o suprassumo da língua portuguesa, não digo que não erre [e escrevo essencialmente com minúsculas no início das frases porque me apetece, apenas e só, digam lá o que disserem]. tenho dúvidas muitas vezes, e faço do Priberam o meu melhor amigo, e uso e abuso do Google Translator, e escrevo e reescrevo vezes sem conta para ver se me parece bem [ok, às vezes, escrevo de rajada. só porque me apetece]. tento ter cuidado com a forma pois pode adulterar todo o conteúdo, e toda a minha intenção.

já não me chegam os facebooks desta vida, onde temos que fazer um esforço sobrehumano para perceber o que lá está escrito. É o “assério”, o “ama mos”, o “amote”; é a falta de acentos [e não de assentos], a falta de pontuação, a falta de lógica. são, muitas vezes, as frases longas, sem pontos nem vírgulas, e que perdem todo o sentido ao fim de quatro linhas.

é o nosso idioma, caramba! no mínimo, devemos saber o que estamos a escrever e como estamos a escrever!

o problema não são as letras pequeninas de muitos contratos. muitas vezes, o problema está no facto de se desconhecer a língua portuguesa.

parece-me crítico, no mínimo.

[ou isto é apenas Monday Mood]

|chamam-lhe “democratização”|

|fecho central|

é o “click” do fecho central das portas do carro que liga e desliga a minha mente.

mal saio de casa, é este pequeno barulho que coloca o meu cérebro em modo “pro” e me impede de afundar nos meus próprios problemas, nos assuntos pessoais, nas confusões que se arrastam porta de casa adentro. é este “click” que me permite focar no essencial, que me permite concentrar e resolver as questões profissionais que me absorveram durante toda a semana.

este “click” dá-se segundos depois de colocar o carro em marcha, tão rápido quanto o diabo esfrega um olho. a partir daqui, entramos em modo piloto automático, com uma série de questões em mente, processos, listagens, plantas e mapas. o momento é único e exige concentração máxima.

horas depois, regresso ao carro e dá-se novo “click”. agora é tempo de voltar a casa. é tempo de pegar na vida que estava em stand-by e reactivá-la. é tempo de pegar na vida e resolver. um problema de cada vez. é tempo de pegar na vida e encontrar novos caminhos.

enquanto vou no carro, permito-me a que as lágrimas corram, permito-me a ver tudo de forma nublada. este é o meu espaço, é o meu tempo. aqui não tenho de ser forte, não tenho de ser optimista, não tenho de sorrir quando por dentro já me desfiz em mil pedaços.

e recordo-me de Fernando Pessoa.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

e, nisto, regresso a casa. sorriso nos lábios, voz tranquila e olhos secos.

regresso a casa e dá-se novo “click”. agora em modo “super-mulher” [e “super-filha” e “super-irmã” e “super-tia” e “super-madrinha”].

movo mundos e fundos. transporto a dor e as angústias dos outros para outros mundos. faço das tripas coração, e da cabeça um veículo motorizado.

|fecho central|

|decor “out of the box”|

porque nem todos os quartos de menina têm de ser rosinhas, amarelinhos, lilasinhos, verdinhos e por aí fora…

porque nem todos os quartos têm de ser em tons pastel.

e porque ainda há quem goste de desenvolver novos conceitos e fazer do quarto uma verdadeira banda desenhada…

AD Room AD Room AD Room AD Roomuma verdadeira inspiração pelos designers nova iorquinos Sissy + Marley

 

>> créditos | Imagens | Adore Home Magazine

 

|decor “out of the box”|